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Inovação na rede pública: professoras criam formação para Ensino Híbrido no interior de São Paulo

Duas professoras da rede pública de Salto Grande, no interior de São Paulo, foram além do laboratório de informática para enriquecer a aprendizagem com ferramentas digitais – e, agora, formam outros professores da região para o Ensino Híbrido.

O município de Salto Grande está localizado no interior do estado de São Paulo na divisa com o estado do Paraná – município pequeno, com aproximadamente 9 mil habitantes, e que possui duas Escolas Municipais de Ensino Fundamental. As Escolas Municipais de Salto Grande EM Thereza Favali Pocay e EM Professora Coraly de Souza Freire têm o apoio de duas professoras de informática, Camila e Maria Alessandra. Com formações semelhantes, as professoras da rede pública compartilham os mesmos objetivos e a mesma busca: Educação inovadora, com oferta de possibilidades para que professores e alunos aprimorem suas experiências de aprendizagem.

Em 14 anos de uso de tecnologias educacionais na sala de informática, as professoras sempre ofereceram formação de professores para uso eficiente dos recursos digitais. Usualmente, essas formações davam enfoque a habilidades como o uso da lousa digital, de editores de textos, a criação de apresentações, gráficos e tabelas em planilhas eletrônicas, entre outros recursos. Com o passar dos anos, as tecnologias foram agregando melhorias na vida dos gestores, professores e alunos… Mas essa realidade não se traduziu em melhores resultados na sala de aula.

Tecnologia além do laboratório de informática

Permanecia somente à cargo da aula de informática a função de ensinar os alunos a utilizar softwares educativos, sites, atividades com textos e jogos. O trabalho exercido por essas profissionais sempre aconteceu em parceria com outros docentes e apenas nos períodos das aulas de informática – com a retomada, por meio das tecnologias digitais, dos conteúdos estudados na sala de aula. Apesar das dinâmicas, a maioria das aulas seguia o modelo tradicional. O grande desafio enfrentado era pensar em aulas que prendessem a atenção dos alunos e que, ao mesmo tempo, possibilitassem a construção do conhecimento.

No início do ano de 2014, a Secretaria Municipal de Educação de Salto Grande realizou uma parceria com a Fundação Lemann para implementação de uma plataforma digital para o ensino de matemática com gamificação, o que foi um grande avanço para a rede pública de ensino. Com a chegada do projeto nas escolas, as professoras Camila e Maria Alessandra modificaram seus modos de pensar, ensinar, organizar, colaborar, compartilhar, planejar e ministrar os conteúdos. Através dessa parceria, começaram a buscar mais informações para suas aulas e a se envolver em novos projetos. As salas de informática se transformaram e as professoras se encantaram com as possibilidades de personalização do ensino. Identificaram a importância do feedback dos relatórios em tempo real e perceberam resultados expressivos em avaliações externas.

Infográfico: O que é gamificação e por que aplicá-la em sua sala de aula?

Mesmo com esse resultado positivo, as professoras se questionavam: “Como envolver todos os alunos em experiências de aprendizagem realmente eficientes? O que poderia ser feito para aqueles alunos com mais dificuldade? E para aqueles alunos que se destacavam?” Com o intuito de responder essas questões, as professoras participaram do grupo de experimentação em Ensino Híbrido e passaram a planejar as aulas com o objetivo de personalizar as ações de ensino e aprendizagem.

A partir dessas dinâmicas, dizem as professoras, “as aulas se tornaram divertidas, interativas, ativas, criativas, com os alunos trabalhando ora individualmente, ora em grupos produtivos demonstrando suas capacidades e ritmos, facilitando o acesso do professor para auxiliar os alunos com maiores dificuldades ou defasagens, dando autonomia para todos, ampliando a análise dos dados gerados durante as práticas e criando produtos finais para uso dos próprios alunos, com a avaliação em tempo real”. A abordagem de aulas híbridas permite uma maior interação entre os alunos e entre os alunos e professores, o que valorizou a colaboração e construção coletiva de conhecimentos.

Leia mais: Ensino Híbrido coloca o aluno no centro do processo

Uma formação da rede pública para a rede pública

Com essa experiência na bagagem, desde 2015, a formação continuada de professores realizada pelas professoras Camila e Maria Alessandra passou a envolver os aprendizados que construíram com a utilização do Ensino Híbrido. Até o momento, já engajaram mais de 700 professores e gestores da região no interior de São Paulo próximas à Salto Grande como Ibirarema, Piraju, Ourinhos, Marília e do Norte Pioneiro no Paraná: Jacarezinho, Santo Antônio da Platina e Cambará, para o melhor uso das tecnologias digitais em sala de aula. Os cursos têm foco no conteúdo, planejamento, reorganização dos espaços, gestão do tempo e a revisão dos papéis de alunos e professores, repensando, assim, os modos de avaliar – e, principalmente, o modo de aprender e ensinar. As ações que têm realizado, atualmente, mais do que ensinar o uso de softwares e aplicativos, envolvem:

  • Realizar pesquisas com professores e coordenadores para identificar quais as maiores dificuldades no uso das tecnologias digitais;
  • Promover reuniões com lideranças municipais e regionais para divulgação do Ensino Híbrido;
  • Participar de palestras, congressos, workshops, oficinas e hangouts sobre o uso das tecnologias digitais em sala de aula;
  • Fomentar encontros de melhores práticas com os participantes das formações e pesquisas para a troca de experiências entre escolas;
  • Divulgar o material produzido para envolver ainda mais professores.

Camila e Maria Alessandra concluem: “Apesar de estarmos distante das capitais onde tudo acontece – cursos, inovações ao alcance das mãos, novidades educacionais, reconhecimento e melhores salários – temos o empoderamento necessário para atingir uma grande parcela dos setores da educação próximos à nossa pequena cidade. Conseguimos disseminar nossas boas práticas, provando que é possível construir educação de qualidade esteja onde estiver, na rede pública ou privada, com os recursos que estiverem à disposição, desde que exista empenho da comunidade!”.

Relato: Minha experiência na formação de professores para o Ensino Híbrido

Lilian Bacich é Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (IP-USP) e Mestre em Educação pela PUC/SP. Atuou por mais de 20 anos na Educação Básica e, atualmente, é Consultora de Metodologias Ativas pela Tríade Educacional, além de estar envolvida com as ações relacionadas ao projeto Ensino Híbrido. Co-organizadora do livro e Coordenadora do Curso online “Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação”. Contato: bacichlilian@gmail.com

A escrita dessa coluna foi feita em parceria com:

Camila Sanches de Carvalho é Especialista em Mídias na Educação pela USP e Informática na Educação pela UEL, licenciada em Pedagogia pela FALC, Tecnóloga em Processamentos de Dados pela UNIMAR, Professora de Informática na Rede Municipal de Salto Grande, Educadora-Referência e Integrante do Grupo de Experimentação em Ensino Híbrido e exímia cantora. Contato: cs_carvalho01@hotmail.com

Maria Alessandra Dubowski Nascimento é Mestranda em Ensino pela UENP, Especialista em Informática na Educação pela UEL, licenciada em Matemática e Pedagogia pela FALC, Tecnóloga em Processamentos de Dados pela FATEC, Líder do Grupo Educadores do Google – GEG Ourinhos, Professora de Informática na Rede Municipal de Salto Grande, Educadora-Referência e Integrante do Grupo de Experimentação em Ensino Híbrido. Contato: dubowskinascimento@gmail.com

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