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Geração Z: como ensinar crianças conectadas

A geração Z já nasceu segurando um smartphone – e, agora, ocupa as salas de aula. Quais as demandas desses alunos e como ajudá-los a aprender mais? Em sua coluna, a professora Vanessa Giron traz um pouco de seu trabalho: digital, dinâmico e colaborativo.

Desde o final do meu Ensino Fundamental, já sabia com clareza o que eu queria estudar na universidade e a profissão que eu gostaria de seguir: o meu sonho era estudar Letras na USP para ser professora de Língua Portuguesa na Educação Básica. Quando eu contava para as pessoas sobre a minha intenção, era sempre bombardeada por questionamentos e tentativas de me fazer escolher outra profissão, inclusive pelos meus próprios professores. Como eu sempre gostei muito de estudar, de gramática e literatura, dos meus professores e de frequentar o ambiente escolar, eu nunca desisti dessa ideia e, anos depois, consegui realizar meu sonho. Uma graduação e um mestrado depois, finalmente fui para a sala de aula para fazer o que sempre quis, ser professora. E qual foi a minha surpresa? A escola tinha mudado muito! A forma como os alunos interagiam entre si e com os professores era muito diferente da que eu estava acostumada. Além disso, o modo como os alunos estudavam, faziam pesquisas e aprendiam também havia mudado bastante – era a chegada da geração Z. Agora, as demandas do professor eram outras.

Nesse momento, percebi que eu precisaria me adequar a uma nova realidade e corresponder às demandas e necessidades de uma geração muito diferente da minha, a geração Z – a dos nativos digitais. Logo no início, tive a felicidade de perceber que a grande facilidade desses jovens em lidar com a tecnologia e o fato de eles estarem, em grande parte do seu tempo, conectados à rede, estão diretamente relacionados à forma como eles aprendem e com o que eles esperam da escola e dos seus professores.

As três grandes características da geração Z que me surpreenderam ao iniciar a minha atuação como professora foram: a variedade de opções de entretenimento e de recursos tecnológicos a que os alunos têm acesso no século XXI; as diversas – e nem sempre confiáveis – fontes de informação a que os nossos alunos têm acesso; e, finalmente, a facilidade de conexão com outras pessoas por meios virtuais.

Isso tudo me fez perceber o quanto a escola tinha mudado em pouquíssimo tempo, pois, oito anos antes, no meu Ensino Médio, a rotina escolar era muito menos dinâmica. Nós estudávamos basicamente com livros e com as anotações das explicações dos professores; as aulas eram expositivas em sua maioria, para que os professores pudessem transmitir o máximo de conteúdo enquanto estivessem com os alunos; e, para fazer alguma atividade de pesquisa, nós íamos para biblioteca e consultávamos todos os livros relacionados ao assunto de nossa busca.

Essa dinâmica escolar funcionou para mim, mas não funciona mais para os nossos alunos, pois a geração Z espera muito mais que isso dos seus professores e da sua escola. E não podemos ignorar isso, uma vez que tanto o professor quanto a equipe gestora trabalham em prol do desenvolvimento acadêmico, profissional e social do aluno.

Sendo assim, a meu ver, ao invés de limitar o acesso ao celular e a outros recursos tecnológicos no ambiente escolar, devemos ensinar nossos alunos a se apropriar de toda a tecnologia a que têm acesso de forma a contribuir para o seu aprendizado. É preciso ensinar os estudantes a selecionar adequadamente as informações de que eles precisam dentre tantas opções disponíveis e também ensinar os nossos alunos a utilizarem os recursos tecnológicos para se enriquecerem culturalmente e desenvolverem o seu potencial, competências e habilidades. Todas essas já seriam grandes conquistas nossas enquanto educadores!

Acredito fortemente que, para obter sucesso ao ensinar a geração Z e garantir que os estudantes realmente aprendam, é necessário preparar aulas mais dinâmicas e diversificadas, transformando a sala de aula em um espaço de trabalho colaborativo, no qual os alunos tenham aulas práticas e coloquem a “mão na massa”, assunto de que vou falar em um próximo artigo. Isso é algo que eu sempre busco incorporar nas minhas aulas, por considerar muito mais interessante, até mesmo para mim, realizar uma atividade coletivamente do que ficar sentada por longos períodos assistindo a uma exposição, uma palestra, sobre qualquer assunto.  

Inicialmente, esse tipo de postura em sala de aula pode parecer muito difícil e desafiadora, mas, com o passar do tempo, a gente percebe que as nossas aulas se tornam muito mais leves, envolventes e os alunos, mais participativos. O importante, para isso, é que o professor mude seu mindset, o seu modelo mental. Todos nós só temos a ganhar com isso! O professor, nesse contexto, passa a ser o mediador das situações de aprendizagem e investe na sua criatividade para estimular e desafiar os seus alunos, propiciando a experimentação e o trabalho colaborativo. O aluno, por sua vez, percebe que as propostas de aula são todas voltadas para o seu protagonismo e para que se torne o principal sujeito e gestor de sua aprendizagem. E tudo isso funciona e é transformador para professores e alunos! Poderia falar muito mais sobre isso, mas acredito que assimilar esses paradigmas já é um grande passo para que nós possamos fazer uma educação cada vez mais significativa e transformadora.

E vocês, professores e gestores, como lidam com os desafios e as novas demandas da geração Z? Gostaria muito de saber. Contem para mim nos comentários! E até o próximo artigo.

* Vanessa Giron é formada em Letras, português e grego clássico, e mestre em Letras Clássicas pela USP. Professora desde 2011, foi coordenadora de Ensino Médio por dois anos no Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, onde leciona atualmente. Utiliza o Design Thinking e o Pensamento Visual nas suas práticas educacionais desde 2015. No início de 2017, em conjunto com a professora Elisangela Goulart, idealizou e criou o blog Empodera  professor!”, com o objetivo tratar de empoderamento e autoestima de professores. Acesse o blog em empoderaprofessor.wordpress.com . Siga no Instagram @vanessagiron_ . Entre em contato: profvanessagiron@gmail.com.

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1 Comment

  1. 17 de junho de 2017 at 10:06 — Responder

    Adorei a página . O relato de Vanessa Giron me incentivou muito. Trabalho com a geração Z e uso o celular em minhas aulas de inglês. Me senti muito mais confiante após ler este artigo.

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