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Educar na Curiosidade

Atualmente, muito se tem falado em Metodologias Ativas e como elas envolvem os estudantes no processo de aprendizagem. Rita André, consultora pedagógica da Geekie, explica a importância de revolucionar a aprendizagem na era do indivíduo digital. Confira!

Educar na realidade contemporânea, classificada por muitos dos especialistas como sendo a Quarta Revolução Industrial, implica em considerar a presença significativa e determinante das tecnologias digitais na Educação, na Economia e no modo de viver do ser humano. No qual, o conhecimento tornar-se o valor determinante para qualquer atividade, seja na produção de bens e serviços, seja na maneira de ofertar a educação.

O grande desafio é: como motivar o aluno a aprender num mundo conectado e hiperexigente?

Aqui se faz importante alinhar o conceito da palavra motivar, que, segundo Paulo Freire, é um processo endógeno, ou seja, de dentro para fora. O máximo que fazemos é incentivar o desejo, a curiosidade que o conduzirá a buscar o conhecimento.

Segundo Benjamim Franklin, a humanidade está dividida em 3 tipos de pessoas: as que são imóveis, as que são móveis e as que se mexem.

Assim, é necessário deixar para trás um modelo pedagógico obsoleto para o século XXI e conceber que o conhecimento não é abstrato, apenas lógico-formal nem genérico. Para despertar o interesse e levar o aluno a aprendizagem, é necessário o despertar pela curiosidade, do instigar para o aprendizado e do deslumbramento diante do novo. A curiosidade é o desejo pelo conhecimento.

Trata-se de um conhecimento conectado com a realidade contemporânea povoado de tecnologias, aquele que nos leva a uma constatação, que nos toca em relação ao outro, principalmente daqueles que são diferentes de nós, que desloca pontos de vista individualista para a dimensão social do saber.

O conhecimento deve proporcionar a conexão entre a razão e a emoção. Só assim se consegue enxergar cada pessoa na sua singularidade.

“Affectare” significa ser tocado por algo. Afeto curricular é afetar-se pelo mundo complexo que só um olhar interdisciplinar permite acessar o conhecimento afetivo que nos move, arrasta, empurra e coloca a escola em um lugar privilegiado de formação da delicadeza, da alegria, das competências e habilidades cognitivas e socioemocionais. Possibilitando o entendimento e ampliação da visão de mundo e do papel que cada um exerce na sua (re)significação.

Educar na curiosidade implica na parceria entre docentes e discentes, onde professores e alunos utilizam a tecnologia para buscar informações, criar, sugerir, decidir e escolher novos caminhos.

Maria Montessori causou uma revolução no mundo pedagógico ao afirmar, em pleno século XVIII, que a educação consistia em um processo que se inicia de dentro do aluno, ou seja, ela é protagonista do seu processo de aprendizagem, enquanto o ambiente e o professor são meros facilitadores. Conceitos que embasam, atualmente, a aprendizagem significativa, que é educar na curiosidade.

A contemporaneidade demanda dos estudantes o desenvolvimento de competências como criatividade, cooperação, empatia, criticidade, conscienciosidade, ser capaz de lidar com as emoções, tomadas de decisão, resolução de problemas, entre outras competências para melhorar explorar as oportunidades que o mundo oferece.

As práticas pedagógicas são o locus de concretização das concepções e das intenções educativas. Não há mudança possível na educação que não passe por uma superação do modelo de práticas pedagógicas dominante e, por outro lado, esse novo modelo deve estar respaldado por um projeto político pedagógico que dialoga criticamente com o mundo contemporâneo.

Assim, assumir a sala de aula como essa rede de conhecimentos que é tecida com a participação de todos, professor e educandos, implica na compreensão da necessidade da  horizontalização do currículo. O que implica em romper com a lógica do pensamento dominante que hierarquiza o conhecimento para assumir a postura da não linearidade e o abandono das relações baseadas no poder de uns sobre os outros, fundamentando-se na valorização de cada pessoa e do seu saber que está em construção, na certeza de que “o momento da aula é sumamente precioso pelo encontro entre professores e alunos, quando ambos trazendo suas colaborações criam condições de troca, de pesquisa, de estudo, de debate, de perguntas e apresentação de dúvidas, de solução de problemas” (MASETTO, 2010, p. 20), assumindo uma postura para educar na curiosidade.

O modelo atual de educação ainda está mais ligado à formação padronizada de trabalhadores para fábricas, típica da Revolução Industrial, do que às exigências flexíveis da economia criativa.

Segundo Klaus Schwab, criador e presidente do Fórum Econômico Mundial, afirmou que estamos vivendo a era do “talentismo”, onde o trabalho repetitivo está em plena extinção, e tanto para o ingresso ou permanência dos indivíduos no mercado de trabalho, o talento humano será o grande diferencial  para a obtenção do sucesso profissional.  

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* Rita André é doutoranda e mestre em Educação e Currículo (PUC-SP) e pós-graduada em Psicopedagogia e Supervisão e Direção Escolar (PUC-SP). Também possui graduação em Pedagogia e Serviço Social (PUC -SP), entre outras especializações. Rita tem experiência em direção e coordenação pedagógica de escolas públicas e particulares e já foi palestrante convidada em congressos internacionais. Hoje, atua no suporte teórico pedagógico como Assessora Pedagógica para o projeto SESI e para escolas privadas parceiras em todo Brasil.

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