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Os benefícios do uso de big data na escola

O uso de big data no nosso dia a dia já é uma realidade. E se utilizarmos big data na escola? Leia mais neste artigo.

Recentemente, fui obrigado a adquirir um novo celular porque o aparelho que eu tinha caiu, quebrou a tela e danificou alguns dos seus circuitos internos, inviabilizando o seu conserto. Antes de realizar a compra, analisei vários modelos e optei por aquele que se encontrava próximo ao orçamento que eu tinha disponível.

Configurei o novo aparelho de acordo com a minha demanda e instalei os aplicativos que utilizo no dia a dia. Depois de algumas semanas de uso, percebi que, em alguns momentos, surgiam sugestões de restaurantes, pontos comerciais, eventos culturais e outros. Mas o que despertou a minha atenção foi o fato do celular sugerir um restaurante de acordo com a localização a qual eu me encontrava naquele instante e perto do horário de almoço. Fiquei me perguntando: seria isso a chamada inteligência artificial?

Como ele sabia que, naquele momento, eu poderia estar procurando um restaurante para almoçar? A resposta é simples: a ampliação dos bancos de dados, que acumulam uma gama estratosférica de informações, juntamente com o avanço da internet e da capacidade de processamento dos novos aparelhos digitais, deram origem a uma inovadora condição de transformação de dados em informações que podem orientar uma determinada ação, e tal processo foi denominado de big data.

Assim, big data é um conjunto de tecnologias digitais capaz de tratar grandes volumes de dados, estruturados ou não, de diferentes formatos, numa velocidade vertiginosa. Esse processo realizado num curto período de tempo possibilita com que as relações dos dados se transformem em informações significativas que podem promover o conhecimento.

Para uma empresa se manter no mercado e identificar oportunidades valiosas de negócio, fazer uso do big data se tornou um procedimento necessário. Ao utilizar os equipamentos digitais, os diversos sites e as redes sociais, nós produzimos muitos dados na web. Estas informações, ao serem combinadas por meio de ferramentas de automação e inteligência de mercado, possibilitam às empresas desenvolver campanhas de marketing cada vez mais personalizadas.

Observando o modo como o mundo corporativo trabalha com as informações que produzimos diariamente, fico me perguntando: e se utilizarmos big data na escola? O seu uso não permitiria aos professores terem, de forma mais rápida e automática, informações sobre os seus alunos e consequentemente, uma avaliação mais personalizada do desempenho de cada um? Avaliar o aluno apenas pelo resultado que ele obteve nas provas formais é o suficiente para mensurar o seu conhecimento? Se é que o conhecimento pode ser mensurado… Como o professor pode avaliar algumas habilidades desenvolvidas pelos estudantes que hoje são exigidas pela sociedade da tecnologia e do conhecimento como: prontidão, responsabilidade, trabalho em equipe, produtividade, autonomia e raciocínio lógico?

Responder estas perguntas não é uma tarefa fácil. Em contrapartida, as empresas que trabalham com soluções tecnológicas para o ambiente escolar facilitam muito a minha vida como professor. Por exemplo, a Geekie oferece o Geekie Lab, que é uma plataforma de tecnologia educacional capaz de explorar dados com o objetivo de acompanhar e avaliar o desempenho dos estudantes. Essa solução sistematiza um conjunto de dados à medida que o aluno realiza, de forma online, os exercícios estabelecidos. A partir do envolvimento do estudante, o sistema consegue identificar os assuntos que ele domina e as suas lacunas na aprendizagem. Também faz a sugestão de roteiros de estudos para sanar as dificuldades do aluno. Minha experiência com a plataforma é altamente positiva.

Além de apontar as dificuldades dos alunos com determinados conteúdos, a plataforma educacional demonstra de maneira sistemática e clara o envolvimento de cada estudante com o processo de aprendizagem. Quando eu mando uma tarefa para casa, não sei quanto tempo cada aluno demorou para realizá-la, se ele leu o texto complementar, se assistiu ao vídeo indicado ou se apenas copiou as respostas dos colegas. Já quando utilizo a plataforma educacional, esses problemas são amenizados, pois ela registra o tempo de acesso dos alunos, o dia e o horário que ele reservou para realizar aquela tarefa e como foi o seu desempenho.

Por meio das informações produzidas e registradas no Geekie Lab, eu consigo traçar um perfil de cada aluno e compreender a sua trajetória de estudo. Também é possível constatar que, muitas vezes, o resultado insatisfatório nas provas formais é uma consequência da falta de envolvimento de alguns alunos com as suas rotinas escolares.

O Geekie Lab, por exemplo, é uma plataforma adaptativa que, por meio de avaliações diagnósticas, identifica os pontos de maior domínio, aptidões e dificuldades dos estudantes e, a partir desses resultados, aponta um plano de estudo personalizado com videoaulas e exercícios para cada aluno. Por meio do plano de estudo, o aluno tem a possibilidade de demonstrar o seu envolvimento com a rotina escolar e o seu desempenho. Além disso, eles têm condições de estudarem de acordo com o seu tempo e necessidade em qualquer lugar que tenha disponível um acesso a internet.  

De posse dos dados gerados pela plataforma educacional, usando a big data na escola, o professor pode avaliar o seu trabalho, refazer o seu planejamento pedagógico e identificar os assuntos que mais apresentaram dificuldades de compreensão. Pode compartilhar com as famílias dos seus alunos o compromisso de formar cidadãos preparados para a sociedade do século XXI.

Leia mais:

*Alfero Mendes Neto é professor de Geografia e trabalha com Tecnologia Educacional na Escola Salesiana São José (Campinas – SP), graduado em Filosofia e Geografia com especialização em Uso dos Recursos Digitais na Educação pela Unicamp e Educamunicação pela Unisal.  Produz conteúdo sobre metodologias de ensino utilizando os recursos digitais na sala de aula no site www.alferomendes.com.br. Entre em contato: alfero@uol.com.br.

2 Comments

  1. 2 de agosto de 2017 at 06:45 — Responder

    O texto só mostra um lado da história da vigilância nas escolas: o da eficiência. Mas há muitos riscos ligados ao uso de big data em espaços educacionais que foram absolutamente ignorados pelo autor. Há pelo menos dois livro muito interessantes sobre isso “Schools under Surveillance” https://www.jstor.org/stable/j.ctt5hj93f e “Surveillance Schools” http://www.palgrave.com/br/book/9781137308856. Ou ainda o excelente artigo “Does Surveillance Make us Morally Better?” https://philosophynow.org/issues/79/Does_Surveillance_Make_Us_Morally_Better.

    • Foto de perfil de Bianca Sonnewend
      11 de agosto de 2017 at 15:12 — Responder

      Oi Lucas!
      Super relevante seu comentário.
      Mandei para o prof. Alfero Neto e ele disse que suas considerações foram importantes para um debate que ocorreu no Facebook do Victor, mas infelizmente ele não conseguiu acompanhar devido a correria da semana.
      Mesmo assim, ressalto que o propósito do texto que não é acadêmico e o objetivo é mostrar a importância para o professor dos registros e dos dados produzidos pelos alunos.
      Obrigada pelo comentário!
      Continue nos acompanhando =)

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