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“Como consegui multiplicar a proposta de Ensino Híbrido na minha escola”

A professora Aline, de Belo Horizonte, faz parte do grupo de Educadores-Referência do Ensino Híbrido. Este texto apresenta o relato de sua experiência durante e após a participação no Grupo de Experimentações, multiplicando a proposta na escola particular em que leciona.

A professora Aline, de Belo Horizonte, faz parte do grupo de Educadores-Referência do Ensino Híbrido. Este texto apresenta o relato de sua experiência durante e após a participação no Grupo de Experimentações, multiplicando a proposta na escola particular em que leciona.

“As minhas aulas não foram mais as mesmas! Aceitei a empreitada de experimentar em sala diferentes formas de organização dos espaços, mudando minha forma de lidar com o conhecimento e transmiti-lo, acreditando no potencial de cada um dos meus alunos e usando de forma mais efetiva as tecnologias digitais”. Enquanto Aline estava imersa no processo de pesquisa-ação proposto no Grupo de Experimentações, a sala de aula se transformou em um espaço rico em interações. Aula à aula, era possível avaliar os resultados decorrentes de cada uma das diferentes propostas. Nesse cenário, o Ensino Híbrido foi ganhando forma. Diversas plataformas começaram a ser exploradas na escola, proporcionando maior troca e interação entre professor e alunos por meio de fóruns, tarefas, questionários e videoaulas.

Para os alunos, muitos ganhos. Eles vibravam diante das propostas. As aulas aconteciam com frequência quinzenal, mas, entre uma e outra, as plataformas fervilhavam com fóruns, debates e muita troca de informação. Antes, a plataforma de Matemática que a professora utilizava com os alunos contava com somente um jogo proposto para todos os alunos; agora, eles passavam a ser oferecidos de acordo com a demanda de cada integrante do grupo. Não havia mais alunos que se sentavam sozinhos, duplas de trabalho se formaram e o conhecimento passou a ser tratado como pertencente a todos, não somente propriedade do professor.

E os resultados? A professora relata que era possível observar que a turma demonstrou muito comprometimento diante do novo formato de Ensino Híbrido. O envolvimento do grupo foi primordial para que os resultados obtidos fossem tão relevantes. A construção da autonomia, outro fator muito trabalhado e conquistado pelo grupo, foi fundamental para o sucesso das aulas e para o bom desempenho dos alunos.

“Aulas tradicionais? Sim! Continuavam necessárias! Líamos textos – individualmente ou em grupos -, eu continuava realizando aulas expositivas e registros no quadro, nós realizávamos atividades em folha xerocadas e nos livros didáticos; porém, agora, o aprender fazia mais sentido. Com o Ensino Híbrido, as aulas possuíam um fio condutor que as diferenciava do que era feito antes”, relata Aline.

Ao fim das atividades com o Grupo de Experimentações, a missão da professora Aline, solicitada pela gestão do grupo, foi de compartilhar seus aprendizados com a direção do Colégio e a equipe de professoras com as quais ela dividia o trabalho do 5º ano. A professora conta que ”a partilha das experiências foi o primeiro passo para que a proposta começasse a se concretizar. Abri convites, falei sobre as aulas, expandi horizontes… deixando muita gente curiosa. Assim, foi nascendo um desejo… Em 2015, o Ensino Híbrido foi a proposta para todas as turmas de 5º ano”.

Mas como envolver professores – e mais de 200 alunos – em uma proposta tão inovadora quanto o Ensino Híbrido?

O segredo de tudo isso era muito entusiasmo: refletir sobre papel do aluno, do professor, da personalização e sobre o uso de plataformas adaptativas nunca foi tão prazeroso. Foi com muita tranquilidade que a divulgação dessa nova forma de lidar com os processos de ensino e aprendizagem passou a ser tratada entre os pares. “O que, antes, era um projeto, foi tomando forma. O que era meu, passou a ser da série, e logo se tornaria de outras séries também.”, conta Aline.  

A organização dos planos e materiais de aulas ficava sob curadoria da professora Aline que, hoje, é assessora de Ensino Híbrido da escola, e cabia à equipe a leitura minuciosa do documento – plano de aula – e sua aprovação. Com o plano aprovado, passava-se à aplicação da aula dentro do formato pré-estabelecido pelo grupo. Todo o processo envolvia muitas mãos e, por isso, toda a autoria era compartilhada.

Multiplicar Ensino Híbrido
Aos poucos, as professoras foram percebendo que os alunos conseguiam trabalhar com autonomia, ensinando um ao outro em diversas atividades.

Algumas dúvidas iam surgindo ao longo do processo. A rotação por estações de aprendizagem, por exemplo, era muito utilizada e surgiam dúvidas sobre a necessidade de acompanhar ou não todas as estações de trabalho. Aos poucos, as professoras foram percebendo que não havia necessidade de estarem presentes em todas as estações e que os alunos conseguiam realizar diferentes atividades com uso de tecnologias digitais sem o apoio do professor durante seu uso, mas com uma orientação prévia do que aconteceria em cada grupo.

Os professores constataram que um roteiro de atividades bem planejado funcionava de forma eficiente e o trabalho de tutoria acontecia também entre os pares. Dessa forma, otimizava-se o tempo, e aqueles alunos que necessitavam de maior atenção podiam ser atendidos de forma mais rápida e eficiente.  

Leia mais: Ensino Híbrido: O que é e como colocá-lo em prática

Será que o Ensino Híbrido agradou a todos?

Nem sempre as mudanças de ambiente, o formato da sala, o uso constante de tecnologias digitais agradavam a todos. Personalizar o ensino era algo difícil e pensar em situações de aprendizagem que colaborassem para essa personalização causou certo desconforto. Era muita mudança de uma só vez! Programar 4 atividades distintas acontecendo em uma mesma sala era um desafio para muitos, além do fato de a tecnologia apresentar falhas durante o processo… Diante disso, o que fazer? Aprender com o outro! Contar com o apoio dos colegas!

Foi isso o que ocorreu na escola: diante dos avanços obtidos, em 2016, o Ensino Híbrido passou a fazer parte, também, do cotidiano das turmas de 4º ano. E o trabalho deste ano incluiu o levantamento de dados que mostrassem como o Ensino Híbrido pode contribuir para uma Educação de qualidade, validando todo o trabalho e planejamento feitos pelo professor. Em 2017, o Ensino Híbrido estará presente em mais uma série do Colégio, envolvendo, novamente, a formação do grupo, a experimentação, a observação de aulas, a leitura de materiais de apoio; elementos importantíssimos para que a metodologia seja fortalecida e apresente bons resultados.

Leia mais: Personalização do ensino: Um case de sucesso

O que levamos de mais positivo de nossa experiência com o Ensino Híbrido?

Concluindo o terceiro ano de trabalho com o Ensino Híbrido, é possível avaliar o percurso percebendo avanços significativos nos dois grupos – alunos e professores. Alunos, aos poucos, se tornaram cada vez mais protagonistas no processo de aprender, conscientes de seu papel de estudantes, responsáveis com seus estudos e atividades extraescolares, amadurecidos para buscar o que a escola propunha para além da sala de aula. Professores se tornaram cada vez mais curiosos e instigados na busca do que ensinar e também do que aprender, se motivaram diante do novo e se sentiram desafiados a ousar diante de um modelo que rompia com o tradicional. Um grupo em busca do novo, construindo conhecimento junto, adquirindo competências e trilhando um novo caminho na educação.

Leia mais de Lilian Bacich:

Lilian Bacich é Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (IP-USP) e Mestre em Educação pela PUC/SP. Atuou por mais de 20 anos na Educação Básica e, atualmente, é Consultora de Metodologias Ativas, participando de processos de implementação de uso integrado de tecnologias digitais em instituições privadas de ensino. No Instituto Península, há mais de dois anos, participa das ações relacionadas ao projeto Ensino Híbrido. Co-organizadora do livro e Coordenadora do Curso online “Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação”. Contato: bacichlilian@gmail.com

A escrita dessa coluna foi feita em parceria com a professora que faz parte da Rede de Educadores-referência do Ensino Híbrido: Aline Soares Silva é pedagoga, professora e assessora de Ensino Híbrido do Colégio Loyola, em Belo Horizonte/MG. Atua há 15 anos na educação básica e é autora de um dos capítulos do livro Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação. Contato: asoaress@yahoo.com.br

2 Comments

  1. 12 de dezembro de 2016 at 18:06 — Responder

    Olá,

    Moro em Belo Horizonte e trabalho com um projeto de Educação Criativa. Gostaria de conhecer esta professora “Aline” e convidá-la para participar de nossas reuniões com depoimentos e compartilhar experiências. Seria possível me passar o contato dela?

    Desde já agradeço a atenção

    • 25 de janeiro de 2017 at 21:51 — Responder

      Olá!
      O contato da professora Aline (email) está nos créditos da matéria. Espero que consigam trocar ideias!

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