Colunas

Como comecei a usar tecnologia na sala de aula

Por Leonardo Freitas*

Pisei pela primeira vez em uma sala de aula, como docente, em fevereiro de 2000. Tremia como uma vara verde numa ventania brava. As mãos suadas, testa escorrendo e mostrando tensão e pavor. E o público feroz de uma mirrada 5ª série, com seus olhinhos arregalados e surpresos, me fitava numa mistura de curiosidade e espanto. Lembro perfeitamente que respirei fundo, me apresentei e tive um discurso bem pouco convincente sobre “respeito” com eles.

O espanto anterior se provou genuíno, perto do que me aguardava naquele ano letivo. Mas, naquela segunda-feira marcante, nasceu uma paixão que me acompanha até hoje: a de ensinar! E cá estou eu, 16 anos depois, com o mesmo friozinho na barriga e alegria imensa, estreando a coluna que terei quinzenalmente com vocês. Outra memória que me vem à cabeça dos primórdios da minha caminhada é a do primeiro salário. Ao final do primeiro mês, lembro-me com orgulho de que recebi duzentos reais. Corri para uma loja de departamentos e financiei uma filmadora, mesmo comprometendo quase 40% da minha ínfima renda naquele aparelho. Na semana posterior, fiz vários vídeos de meus pequenos alunos recitando poemas escritos por eles, nas aulas de redação. Editei o título e algumas legendas toscamente, com cartolina e letras feitas em isopor. Pronto: estava plantada em mim a sementinha que hoje, norteia por completo meu trabalho – a tecnologia.

Óbvio que, de lá pra cá, aprendi muito sobre o mundo da tecnologia, e ainda mais como educador. Como todo mundo nascido da década de 80, vi o nascimento e a estabilização de grande parte dos recursos de hoje, além da evolução da internet, dos sites de entretenimento e das redes sociais. E afirmo com plena certeza: absolutamente tudo isso pode (e deve) ser usado dentro de sala de aula. E é este uso, seus recursos, seus benefícios e diversas outras maneiras de enriquecer uma aula que pretendo apresentar a todos vocês neste espaço. Longe da pretensão de “ensiná-los” a ensinar. Nunca foi nem é meu intuito, mas sim, mostrar minhas vivências, compartilhar saberes, aprender e ensinar o que 16 anos de caminhada me mostraram (e mostram) todos os dias. Dois dias antes de escrever este texto, ministrei um treinamento para professores, onde expliquei os usos que faço dos recursos digitais e como incremento minhas aulas usando tecnologia e criatividade. Confesso que o resultado foi espetacular. E por isso reforço aqui o que sempre digo: se cativa a nós, adultos e calejados por um cotidiano árduo, imaginem os jovens alunos que nos aguardam todos os dias dentro de uma sala de aula? Deixo esta pergunta para que todos reflitam sobre, e busquem pequenas medidas para potencializar seu trabalho.

Ah! Lembra daquela 5ª série de que falei, lá no início do texto? Uma aluna de lá, recentemente, encontrou-me no Facebook. Por ali descobri que ela se tornou professora de matemática, por pura e louca inspiração nas minhas aulas. Fiquei surpreso e orgulhoso. Diante de uma realidade que por vezes nos massacra e retira tanta gente boa do caminho da educação, fatos assim nos dão esperança e renovam nosso amor pelo ensino. E essa mesma professora, por mais incrível que pareça, estava na turma de docentes que assistiram à palestra dada. É a renovação de um ciclo, como tudo de bom e válido nesta vida. Ciclo este que agora, de maneira feliz e animadora, irei compartilhar com todos vocês. Até a próxima!

*Leonardo Freitas é graduado em Letras pela Universidade Católica, com especialização em Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília. Leciona há exatos 16 anos, e desde pequeno queria ser professor. Já passou por todos os níveis, desde o fundamental I ao superior. Hoje, trabalha com seis turmas de 8º ano em uma escola particular de Brasília.

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