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Quais valores norteiam as nossas aulas?

Vanessa Giron, colunista do InfoGeekie, reflete sobre os valores que norteiam o trabalho de um professor e sobre autoconhecimento. Confira!

É muito comum, no início de carreira, ouvir dicas de outros professores sobre como agir em sala de aula, e também conselhos e dicas de como nos relacionar com os alunos. E isso é muito bom, pois nos dá conforto e a sensação de sermos amparados pelos nossos colegas, não é mesmo? Esse contato com outros professores me ajudou muito no meu início, e ainda me ajuda! Com o passar do tempo, continuamos ouvindo dos colegas relatos de como eles lidaram com alguma situação que enfrentaram em sala de aula ou de como intermediaram algum conflito. Essa troca de experiência com eles é muito enriquecedora, mas, às vezes, pode nos deixar inseguros com relação a nós mesmos e ao nosso desempenho em sala de aula. E é aí que entra o autoconhecimento!

Quando nos conhecemos bem e temos certa clareza de quem somos, evitamos as armadilhas das comparações. Por isso, é importante fazer a nós mesmos as seguintes perguntas:

  • Que tipo de professor eu sou?
  • Como eu gosto que sejam as minhas aulas?
  • Quais situações mais me agradam numa aula?
  • Com que tipo de atividades pedagógicas eu me sinto mais à vontade?
  • Como gosto de me relacionar com meus alunos?
  • Que valores norteiam o meu trabalho?

Tendo essas respostas em mente, nós não fazemos comparações entre nós e outros professores e estamos imunes àquelas feitas por outras pessoas, como os nossos alunos, por exemplo, já que sabemos quais são as nossas principais características, qualidades e, até mesmo, os pontos em que precisamos melhorar. Assim, quando temos consciência de nós mesmos, conseguimos perceber o quanto somos únicos e utilizar isso a nosso favor, trabalhando de forma mais original, com práticas pedagógicas de que realmente gostamos e mais conectados com a nossa autenticidade. E é isso, a meu ver, que deixa o trabalho mais leve e menos exaustivo, o que eleva – e muito – as nossas chances de sermos reconhecidos por aquilo que fazemos! Para mim, por exemplo, diálogo, respeito às diferenças, trabalho colaborativo, clareza e organização são valores que não podem faltar nas minhas aulas e faço questão de ter isso em mente ao preparar as minhas atividades e ao lidar com os desafios que surgem no ambiente escolar.

Sei que, infelizmente, nem todos os professores têm a liberdade de trabalhar nas condições de que gostam e que merecem, e que há instituições que tentam padronizar os formatos das aulas, o que, sem dúvida, dificulta o trabalho do professor. Percebam que eu disse “dificulta”, e não “limita”! Isso não nos limita porque, dentro da nossa realidade, podemos agir da forma de que gostamos, o que nos deixa mais à vontade e que, com certeza, encantará e envolverá os nossos alunos. Por isso são muito importantes o autoconhecimento e a percepção dos valores que são realmente fundamentais para nós. Só assim podemos soltar a nossa criatividade, fazer das nossas aulas experiências únicas e tornar o nosso dia a dia mais leve. E isso também serve para a vida! Quando fazemos o que gostamos do modo como gostamos, fica tudo muito mais criativo e autêntico e nós, mais felizes e realizados.

E você, já pensou nos seus valores essenciais como professor?

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* Vanessa Giron é formada em Letras, português e grego clássico, e mestre em Letras Clássicas pela USP. Professora desde 2011, foi coordenadora de Ensino Médio por dois anos no Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, onde leciona atualmente. Utiliza o Design Thinking e o Pensamento Visual nas suas práticas educacionais desde 2015. No início de 2017, em conjunto com a professora Elisangela Goulart, idealizou e criou o blog “Empodera  professor!”, com o objetivo tratar de empoderamento e autoestima de professores.  Acesse o blog em empoderaprofessor.wordpress.com. Siga no Instagram @vanessagiron_ . Entre em contato: profvanessagiron@gmail.com.

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