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O TRABALHO EM EQUIPE PODE SER USADO COMO FERRAMENTA DE APRENDIZADO EM AULAS DE MATEMÁTICA?

Neste artigo, Fabio Aparecido comprova a importância do trabalho em equipe em aulas de matemática como ferramenta para a valorização de conhecimentos, a troca de experiências, a elevação da autoestima, a mobilização e a integração de estudantes. Leia:

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Se você já leu algum outro artigo meu, você já deve ter percebido que gosto muito de usar o trabalho em equipe nas minhas aulas de matemática, dentro ou fora da sala de aula, em grupo ou reunindo a sala toda. Gosto de atividades que promovam a integração, a troca de experiências e que fujam da aula tradicional. Este tipo de iniciativa valoriza muito o aluno, já que dentro da sala sempre existirão estudantes com maior facilidade de aprendizagem e estudantes com conhecimentos prévios da matéria já adquiridos em anos anteriores.

Entrando na questão da mobilização e movimentação dos alunos, faço a seguinte pergunta: Você já se imaginou ficar sentado ou sentada durante duas aulas seguidas de 50 minutos cada? Você já pensou de como seria monótono e maçante?

Confesso que quando era aluno na década de 80, tinha muita dificuldade em matemática. Achava muito chato ficar sentado no período da tarde. Eu só podia levantar quando levava meu caderno para correção, quando ia ao banheiro, na hora do recreio ou quando era intimado a resolver exercícios na lousa.

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MAS COMO O TRABALHO EM EQUIPE PODE AJUDAR NAS AULAS DE MATEMÁTICA?

Em primeiro lugar, ajuda com a valorização da autoestima. O estudante que explica o tema se sente motivado, valorizado pelos colegas. Sempre que aparecer uma dúvida ou dificuldade em um determinado assunto, outros alunos irão pedir ajuda para ele.

Dentro da sala de aula sempre terá um aluno ou uma aluna que tem conhecimentos adquiridos anteriormente sobre o assunto ensinado. Você, como professor(a), pode valorizá-lo(a) e aproveitar essa aptidão para ajudar outros colegas de sala de aula por meio de uma atividade proposta. Essa troca de experiências entre os colegas da sala acaba incentivando o aprendizado em turma. Costumo dizer que o aluno que explica aprende duas vezes.

Vou colocar aqui como exemplos práticos, três artigos que escrevi para o InfoGeekie que abordam atividades em equipe. Em primeiro lugar, gostaria de citar o artigo que escrevi em novembro de 2017 sobre como trabalhar o Sudoku nas aulas de matemática. Essa atividade pode ser explicada como uma resolução de um Sudoku coletivo. Um aluno ou uma aluna assume a lousa e o restante da sala informa os números que deverão ser colocados. Aqueles que têm uma maior facilidade informam os números que faltam e explicam aos colegas que lógica usaram para chegar ao resultado. É importante enfatizar que durante a atividade, não precisei explicar a resolução para sala.

O segundo exemplo pode ser encontrado no artigo que escrevi em junho deste ano sobre o uso da geometria em dimensões reais. A finalidade era revisar as relações métricas no triângulo retângulo. Para essa atividade, separei os estudantes em grupos de no máximo 5 alunos

Na maior parte dos grupos, percebi que sempre tinha um ou dois alunos que já dominavam o assunto e isto contribuiu para o rendimento da atividade. Percebi também que alunos de grupos que já tinham terminado a atividade estavam ajudando colegas de outros grupos que estavam com dificuldade.

O último exemplo pode ser identificado no artigo que escrevi em janeiro deste ano sobre a matemática e a interdisciplinaridade no lançamento de foguetes. Esta atividade foi realizada em grupos com, no máximo, 5 alunos. Cada grupo tinha a missão de construir um foguete de garrafa PET, construir uma base de lançamento e aplicar um modelo matemático.

Durante essa atividade, notei que alguns estudantes que dominavam a construção da base do foguete ajudaram outros grupos com dificuldade. Vi que alunos e alunas de outras turmas mais avançadas também trocaram experiências sobre o lançamento dos foguetes e o cálculo matemático solicitado, já que haviam realizado essa mesma tarefa anteriormente.

É importante enfatizar que atuei como mediador em todas essas atividades e aproveitei as experiências dos próprios estudantes em todos os casos.

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Sucesso nos seus novos desafios.

“Juntos quebraremos a barreira que existe entre os alunos e a matemática e, assim, melhoraremos os índices de aprendizado e a matemática no Brasil”.

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*Fabio Aparecido é professor de matemática com experiência de 16 anos. Atua no Centro Paula Souza (CPS) e na Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. É licenciado, bacharel e especialista em matemática pela UFscar. Produz conteúdo no Facebook e no seu canal do Youtube.Teve um de seus projetos publicados no site do MEC (Ministério da Educação).
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