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Tecnologia educacional precisa de parceria entre educador e desenvolvedor

Educadores de um lado, desenvolvedores de outro – quem acredita que essa seria uma receita de sucesso para criar tecnologia educacional? Apesar de, em um primeiro olhar, as duas áreas parecerem distantes, a troca entre quem cria e quem usa uma ferramenta digital deveria ser intrínseca a todo o processo de desenvolvimento.

Desenvolvedores de software possuem a expertise necessária para criar aplicativos, jogos e plataformas com potencial de revolucionar a educação; contudo, nada disso importa se a realidade do usuário não for levada em consideração. A rotina, os obstáculos e as expectativas de quem vai de fato utilizar a tecnologia todos os dias devem orientar as decisões tomadas para que a experiência dele seja fácil e agradável – ao invés de complicada e frustrante. Essa participação faz toda a diferença quando comparamos a qualidade das ferramentas digitais oferecidas à escola: se são de fácil navegação, trazem as funcionalidades mais necessárias e acompanham o ritmo de trabalho do educador. Tais qualidades se refletem, por consequência, no engajamento de alunos e professores e no aumento de desempenho tão desejado pela escola.

Infelizmente, esse cenário nem sempre se concretiza. Segundo pesquisa da Fundação Lemann, 92% dos professores gostariam de ter uma formação mais adequada para uso de tecnologia no ensino; porém, mais da metade deles reclama que não são ouvidos antes da aplicação de novas políticas e programas na escola.

Como a Geekie cocria tecnologia educacional?

Na Geekie, o desafio de incluir nosso público final na criação de tecnologia educacional é levado muito a sério. Qualquer nova funcionalidade passa, antes de ser lançada, pelos educadores. A mais recente ferramenta a sair desse processo, e que contou com o envolvimento de milhares de professores, foi a Tarefa de Casa.

Desde a concepção, o projeto partiu de comentários e sugestões de dentro das escolas: os professores que usavam a plataforma de aprendizagem adaptativa, o Geekie Lab, queriam se sentir mais protagonistas. A princípio, o Geekie Lab oferece exercícios online e, conforme os erros e acertos de cada aluno, elabora planos de estudos personalizados com aulas online. Contudo, os professores queriam a possibilidade de indicar atividades que conversassem com o conteúdo estudado em sala de aula.

Com um primeiro protótipo à espera, 13 professores vieram até a Geekie para experimentar a nova ferramenta. “A Tarefa de Casa ainda nem estava no ar, mexemos em um protótipo no computador dos desenvolvedores”, contou Fernando Sousa, professor de História e Filosofia do Colégio Internacional EMECE. “Eles me pediram para dar todos os palpites e ideias que me viessem à cabeça, sugestões do que poderia melhorar”. Fernando recordou que ainda não existia como mandar a mesma tarefa de casa para mais de uma turma, nem tampouco como definir um prazo para entrega. Essas duas funcionalidades foram incluídas após o feedback dos professores.

Em seguida, a Tarefa de Casa passou por alunos, gestores e programadores até que uma primeira versão da ferramenta estivesse pronta para ser posta à prova. Ela foi testada por mais de 4.500 professores, com um saldo muito positivo: 89% aprovaram a solução.

“A Tarefa de Casa matou vários coelhos em uma cajadada só. Personalizou de verdade”, comemorou Fernando. “Nós, professores, nos sentimos participantes no processo e com capacidade de influenciar o caminho que nossos alunos vão seguir”. Hoje, a ferramenta é o maior sucesso do Geekie Lab, por integrar a tecnologia educacional diretamente à rotina da sala de aula e, ainda, economizar o tempo que o professor dispensa à elaboração e correção dos deveres de casa.

O que alunos querem da tecnologia educacional?

Mas os professores não são os únicos que têm voz na criação de tecnologia educacional. Os próprios alunos são envolvidos no processo. Esta semana, por exemplo, a Geekie recebeu a visita de alunos do primeiro, segundo e terceiro ano do Ensino Médio do colégio Magister, de São Paulo. Esse é o segundo ano em que a escola utiliza a plataforma Geekie Lab.

Após conhecer a equipe e o espaço, foi a vez de os estudantes contarem suas experiências. Eles se sentaram com Leandro Carabet, responsável pela experiência de consumidor do Geekie Lab, para contar como aproveitam a plataforma diariamente.

“A Geekie ajuda muito quando me sinto perdida em uma matéria. Sempre entro na plataforma para estudar para as provas e, na minha sala, a gente fica sugerindo as aulas de que gostamos mais”, disse Ana Clara de Sousa Mendes Ferreira, aluna do segundo ano. No Magister, o índice de engajamento dos alunos chegou a 95% em 2016.

Isso não significa que não haja espaço para melhorias. Leandro pergunta para o grupo se eles sentem falta de algo quando estudam pela plataforma – surge uma lista de conselhos: vídeos parecidos com os do YouTube, um chat para que se comuniquem com o professor em tempo real, “ou, quando eu fosse mal em um exercício, que aparecesse direto uma janela com a aula sobre aquele assunto, para não ter que procurar”. “Se essa janela aparecesse na tela, vocês clicariam e iriam assistir à aula?”, conferiu Leandro. E Ana Clara emenda: “Claro! Se a Geekie falou, ‘tá’ falado”!

Todas as contribuições ficaram anotadas em uma lousa e colocadas em ordem de prioridade; algumas das dicas circuladas ou sublinhadas conforme a popularidade. Já a turma encerrou a visita com o convite para manter contato e continuar enviando sugestões – logo o Geekie Lab será, ainda mais, do jeitinho que eles imaginam.

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