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“A sala de aula é um lugar para ouvir, muito mais do que falar”, afirma educador

A sala de aula é o local mais importante da escola. É o espaço de comunhão. Um lugar sagrado. Tudo mais existe em função da sala de aula. A biblioteca, o refeitório, a cantina, as áreas de recreação, as quadras de esporte, as salas de multimeios, a secretaria, a direção, tudo está a serviço do sucesso na sala de aula.

As crianças e suas famílias colocam todas as esperanças na sala de aula. É ali que tudo acontece. Uma criança pode ter na sala de aula o começo de seu sucesso. Mas, lamentavelmente, pode ter ali um local para decepções consigo mesma, com os professores, com os colegas, com a vida.

Pesquisa: O que os alunos querem da escola?

Todos nós adultos, que tivemos chance de estudar, acumulamos histórias e mais histórias a contar de nossas salas de aula. Se um aluno é valorizado na sala de aula, isto elevará a sua autoestima e ele aprenderá qualquer disciplina.

E no âmbito da sala de aula, o mais importante é como acontecem as relações entre professores e os alunos, e dos unos entre si. É o prazer da convivência que vai motivar os alunos a retornarem à escola. É importante o ambiente da sala de aula: que seja limpo, que seja bem decorado, que seja bem claro, que seja atraente. Mas os alunos voltarão à sala de aula pela certeza de que serão valorizados.

Ali deve ser um local especial para construir a felicidade, coletivamente. Os alunos querem ser respeitados em suas histórias, suas ideias, seus conhecimentos. Jamais querem ser, como ninguém quer, desqualificados, humilhados, desvalorizados, subestimados.

“Na sala de aula

É que se forma um cidadão

Na sala de aula

Que se muda uma nação”

(Leci Brandão)

A realidade mostra que a grande maioria das pessoas quer aprender e gosta de aprender. No entanto, parece paradoxal, ninguém gosta de “ser ensinado”, especialmente quando os seus conhecimentos são desvalorizados e os ensinamentos surgem como uma imposição.

Quem dirige carro sabe o quanto é irritante alguém ficar dizendo: “o sinal vai abrir”; “cuidado, aquela pessoa vai atravessar…”; “parece que tem um animal na estrada”; “é bom dar sinal que vai dobrar…” E assim por diante. São formas explícitas de demonstrar descrença e insegurança, em relação a quem está dirigindo.

A nossa escola tem formas tradicionais de demonstrar desconfiança nos alunos, camufladas sob formas de ajudar. O professor mostra uma caneta e já diz: “Isto é uma Ca…” Já pressupõe a incapacidade dos alunos e, por precaução, diz o início da palavra. Ora, isto é um desrespeito. Por que não esperar que os alunos digam o que pensam? Se os alunos dão respostas diferentes daquela que o professor espera, é uma boa oportunidade para um diálogo, em que cada um exporá o seu pensamento sobre aquele objeto. Mesmo que as respostas dos alunos pareçam absurdas, cada um terá um motivo para dizê-las. E devem ser respeitados em suas concepções. Um aluno que tiver a sua palavra bloqueada logo nas primeiras aulas, dificilmente terá espontaneidade para participar em outros momentos.

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A sala de aula é o local ideal para começar a exercitar a cidadania, desde os primeiros até os últimos anos, com o exercício cotidiano da participação, da vivência e da convivência.

Numa sala de aula de um curso de graduação, em História, numa cidade do interior do Ceará, um aluno, no primeiro dia de aula, ousou fazer uma pergunta ao professor, relacionada à disciplina. E a resposta foi:

– “Se eu soubesse que o nível de vocês era tão baixo, não teria vindo aqui dar aulas”.

Quem mais ousaria fazer alguma pergunta? Aquela, naturalmente, era a defesa prévia do professor, para que os alunos não formulassem outras questões. E, assim, ele ficaria livre para desenvolver o conteúdo da forma que lhe conviesse. Sem participação.

Daí a importância de saber ouvir os alunos. A sala de aula é um lugar para ouvir, muito mais do que falar. Quem fala muito, não tem tempo de pensar, nem de ouvir. Sabe-se da autonomia do professor em sua sala de aula, portanto, não é preciso esperar decisões que venham de cima. Muito menos se justifica colocar a culpa na direção ou nos coordenadores pedagógicos. Usemos, portanto, de nossa criatividade e tenhamos coragem de ousar e criar formas novas de conduzir a turma à aprendizagem. O mais importante, é que, todos os dias os alunos aprendam mais. Nosso papel principal é facilitar o processo de aprendizagem.

Curso gratuito: gestão da sala de aula

Por Leunam Gomes

* Texto extraído de “PROFESSOR COM PRAZER! – Vivência e Convivência na Sala de Aula”F. LEUNAM GOMES, Edições UVA/Sobral – Ceará. O professor cearense Francisco Leunam Gomes escreve sobre sua experiência como educador, gestor educacional e atuante na educação biocêntrica. Segundo o autor, o objetivo do livro é que “um professor, de qualquer nível, em qualquer lugar, possa entender este texto, adaptá-­lo à sua realidade, obter bons resultados e descobrir o prazer, no seu trabalho diário, da vivência e da convivência em sala de aula”.

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