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Incentivando o protagonismo juvenil: tecnologias e comunicação na escola pública

Julci Rocha, colunista do InfoGeekie, fala sobre ações que incentivam o protagonismo juvenil, unindo tecnologias e comunicação. Confira!

Neste ano de 2017, tive a oportunidade de conhecer estudantes de 20 escolas de tempo integral da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo e que também são apoiadas pela ONG Parceiros da Educação. Alguns estudantes e professores participaram de uma formação para utilização de algumas tecnologias digitais e foram desafiados a melhorar algum processo em sua escola por meio dessas ferramentas, com o apoio de seu professor-tutor.

Uma dessas escolas foi a “Escola Estadual Professor Benedito Camargo Freire”, de Campos do Jordão – SP. Sob a tutoria da professora de Língua Portuguesa, Angélica Guimarães, Agatha Faria e Victor Hugo Toledo desenvolveram uma solução para melhorar a escolha das disciplinas eletivas por parte dos estudantes. O projeto envolveu 400 estudantes e foi um sucesso! O resultado pode ser conferido aqui.

Protagonismo juvenil Protagonismo juvenil Protagonismo juvenil

Na ocasião, me chamou a atenção a desenvoltura e o engajamento desses jovens e, por isso, resolvi conhecer mais da escola e de seus projetos. Dentre esses projetos, um deles me encantou, por ser exatamente o tipo de ação que integra o uso das tecnologias digitais para desenvolver o protagonismo dos estudantes, o desenvolvimento de suas habilidades comunicativas e de produção digital. Ele foi desenvolvido como fruto da disciplina eletiva de comunicação e chama-se “Está no ar”.

Nessa disciplina, os estudantes ficaram responsáveis por toda comunicação digital da escola, desenvolvendo conteúdo para toda a comunidade escolar e publicando via internet. Dessa forma, os estudantes ajudaram a escola a melhorar sua comunicação não somente com a comunidade externa, mas com os próprios alunos. Eles melhoraram a qualidade do conteúdo produzido, deram mais relevância às publicações, por serem temas de interesse dos próprios estudantes e deram visibilidade a diversos projetos que a escola desenvolve.

Além da Página do Facebook e do Youtube, os estudantes criaram uma rádio (interna) e um website (em desenvolvimento).

Recomendo assistirem aos vídeos de divulgação do projeto, elaborado pelos próprios estudantes, que servem como referência para outras escolas que desejam começar um projeto semelhante.

Muito se fala a respeito de uma educação que desenvolva o protagonismo dos estudantes, cujo papel do professor é orientar e acompanhar o processo, criando um ambiente de aprendizagem colaborativo. Da mesma forma, ouvimos muito que o currículo precisa estar a serviço do desenvolvimento de competências e habilidades, cognitivas e socioemocionais, e que a tecnologia deve estar presente na escola não somente para consumo, mas para produção de conhecimento. Percebem como essa ação se encaixa em todos esses requisitos?

Está no Ar

Podemos considerar que essa disciplina eletiva está alinhada com os 4 Ps, defendidos por Mitchel Resnick para o desenvolvimento da aprendizagem criativa e, por isso, alinhada com as competências necessárias ao cidadão contemporâneo: projetos, parceria, paixão e pensar brincando. Leia a definição de Resnick em seu artigo “Dê uma chance aos Ps: projetos, parcerias, paixão, pensar brincando”, de 2014:

  • Projetos. Aprendemos melhor quando trabalhamos ativamente em projetos significativos, criando novas ideias, desenvolvendo protótipos e refinando o trabalho por meio da repetição.
  • Parcerias. O aprendizado prospera quando é feito como uma atividade social, com pessoas compartilhando ideias, colaborando em projetos e ajudando no trabalho umas das outras.
  • Paixão. Quando as pessoas trabalham em projetos pelos quais têm interesse, elas trabalham por mais tempo e se esforçam mais, persistem diante dos desafios, e aprendem mais nesse processo.
  • Pensar brincando. Aprender envolve experiências divertidas, ou seja, testar coisas novas, manipular diferentes materiais, testar limites, assumir riscos, repetir algo várias vezes.” (RESNICK, 2014, p.1)

Experiências como essa devem ser disseminadas, para encorajar outras instituições e docentes que desejam integrar a tecnologia digital aos seus projetos pedagógicos maneira transformadora. Parabéns à Escola Prof. Benedito Camargo Freire, aos seus professores e, principalmente, aos estudantes que aceitam o desafio de se tornarem protagonistas de sua própria história.

REFERÊNCIAS

INEP, Matrizes de referência do ENEM. Linguagens, códigos e suas tecnologias. 2017

MIT MEDIA LAB. Aprendizagem criativa – Curso gratuito. Vídeos e textos traduzidos para o português. Disponível em: http://learn.media.mit.edu/lcl/

PORVIR. Conheça as competências para o século XXI. 2012

RESNICK, M. (2014). Dê uma chance aos Ps: projetos, parcerias, paixão, pensar brincandoConstructionism and Creativity conference, opening keynote. Vienna.

* Julci Rocha Mestre em Educação: Currículo, especialista em gestão educacional, design educacional e educação inovadora. Licenciada em Letras pela USP. Pesquisadora da área de inovações em educação envolvendo tecnologias digitais, metodologias ativas. Mediadora de processos colaborativos, como o design thinking, tem experiência em elaboração, coordenação e desenvolvimento de programas inovadores em redes públicas e privadas, atuando na área há mais de 10 anos, com vivência em instituições importantes como o Instituto Paulo Freire e Fundação Lemann. Hoje é consultora educacional da Microsoft e CoFundadora da Tríade Educacional. Contato: julci@triade.me.

 

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