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Minhas crianças estão prontas para o ensino híbrido?

A transição dos livros e apostilas para uma plataforma digital costuma ser gatilho para uma série de incertezas por parte das famílias. Saúde, maturidade, hábitos de estudo… Afinal, o que é estar “pronto” para aprender com tecnologia?

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Quando o Geekie One chega a uma nova escola, os primeiros seis meses são dedicados a uma implantação planejada e cuidadosa. Isso quer dizer que, se a escola vai utilizar nossa plataforma em janeiro, já em julho do ano anterior estamos lá, conversando, fazendo visitas presenciais, conhecendo e formando toda a comunidade escolar. Ao contrário do que se possa pensar, isso não se deve à complexidade do material em si – intencionalmente criado para ser intuitivo, de leitura e navegação rápidas – mas porque a mudança do físico para o digital é tudo, menos trivial para as pessoas envolvidas. Nosso trabalho, muito além de mostrar em qual botão clicar a seguir, é o de acolher e empoderar pessoas no processo de transição, para que atravessem essa onda com tranquilidade.

Isso inclui, é claro, mães e pais. É importante que as famílias compreendam a chegada da tecnologia e apoiem a decisão da escola; primeiro, porque elas são parceiras no estudo de seus filhos e filhas, acompanhando atividades, sanando dúvidas, cobrando um certo comportamento escolar; em última instância, também porque são elas que tomam a decisão final de manter ou não esses estudantes matriculados. Nos últimos anos, acompanhando cerca de 30 escolas parceiras do Geekie One, conseguimos identificar algumas preocupações quase universais; além de, é claro, nos debruçar sobre como melhor endereçá-las.

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“As crianças poderão acessar o que quiserem na internet”

Essa é a primeira impressão de muitas famílias no processo de mudança para o Geekie One. Afinal, quando cada estudante passa a contar com um dispositivo móvel que contém todo o seu conteúdo escolar, como garantir que esses alunos e alunas também não se distraiam pelos incontáveis caminhos disponíveis online – vídeos, jogos, redes sociais?

Também gera ansiedade o fato de o dispositivo móvel de repente ocupar um espaço que antes era destinado ao lazer. Se, antes, fazia sentido que eu proibisse o celular até as tarefas de casa estarem completas, agora, a tarefa pode estar sendo realizada no celular! Essa nova dinâmica é desconhecida e, como tal, aumenta a ansiedade.

Para lidar com essa possibilidade de distração, discutimos com as escolas alguns caminhos: de curto e médio prazo. O de curto prazo, pensado especialmente para o período de transição, diz respeito a como a escola pode supervisionar suas turmas no uso do Chromebook, dispositivo recomendado pela Geekie. Isso significa que, com um aplicativo de controle, o colégio pode habilitar ou bloquear aplicativos e sites e toda a sua rede de dispositivos, garantindo que estudantes acessem apenas aquilo que é adequado às aulas.

A solução de médio prazo é aquela em que acreditamos como forma de conscientização, autogestão e responsabilidade; pilares que buscamos desenvolver ao longo da trajetória escolar. Em vez do caráter proibitivo, trabalhamos com todas as turmas a Educação Digital, disciplina regular na grade horária com uma aula por semana. Nesses encontros professores e turma debatem e experimentam os riscos, desafios e oportunidades do universo digital, passando por temas como autoimagem, privacidade, fake news, saúde e bem estar, cyberbullying e relacionamentos online.

Para ler mais sobre a disciplina de Educação Digital, clique aqui.

Estamos proporcionando a essas crianças e jovens uma formação que nós não tivemos. Ninguém nos ensinou como utilizar a tecnologia com sabedoria e moderação, ela simplesmente caiu no nosso colo – e, hoje, vemos pessoas se tornando doentes digitais, pessoas que não conseguem largar as telas por poucos minutos ou que buscam likes para se sentirem bem. Nossa missão é auxiliar a próxima geração a fazer uso dessas ferramentas de maneira mais saudável.

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“Como evitar problemas de saúde causados pela tecnologia?”

Com razão, outra fonte de questionamentos por parte de mães e pais se refere a problemas de saúde. Quando consideramos a postura, o digital, na verdade, apresenta uma vantagem: o recomendado por especialistas é que o peso da mochila nunca ultrapasse 10% do peso da criança; porém, com a sobrecarga de livros e apostilas, muitas carregam bem mais do que 4 ou 5 quilos diariamente. Com o Geekie One, um único dispositivo permite reunir todo o conteúdo em um só lugar, diminuindo consideravelmente o peso nas costas (porém, vale lembrar que caderno e estojo continuam sendo necessários!). Da mesma forma, o Chromebook, dispositivo recomendado pela Geekie para a aprendizagem, facilita uma leitura mais ergonômica, com costas e pescoço alinhados, a cerca de 50 centímetros de distância da tela.

Mas e a visão? De fato, muitas pesquisas apontam para os riscos da exposição frequente ao brilho das telas. Isso fez com que a equipe Geekie se preocupasse também com como orientar melhores hábitos de estudo.

O que costuma causar problemas de visão é que nossos olhos possuem um músculo que fica contraído para focar imagens próximas. Para ver de longe, ele deve relaxar (ou seja, focar em outros objetos mais distantes).

Essa alternância de foco acontece naturalmente em sala de aula. Como? O primeiro ponto que é essencial ressaltar é que o Geekie One faz parte de uma proposta híbrida de aprendizagem. Ou seja, o conteúdo é digital, mas a prática didática combina recursos pensando no objetivo de cada momento de aprendizagem: lousa, caderno, plataforma digital, debates, trabalhos em grupo. Isso quer dizer que os estudantes não vão ficar ininterruptamente com os olhos na tela; a dinâmica de sala de aula pode e deve ser tão variada quanto a escola quiser.

Já para momentos individuais, em casa, o ideal é que a aluna ou aluno façam pausas curtas a cada 20  minutos quando estudando com o material digital. Nesses intervalos, vale exercitar a musculatura do olho, relaxando e focando em pontos mais distantes (ou seja, essa pausa não pode ser usada para checar o Instagram e o Whatsapp, e sim para gastar alguns minutos longe dos eletrônicos). Porém, para além disso, as pausas são relevantes no processo de aprendizagem – não é à toa que a escola alterna disciplinas a cada 50 minutos! As pausas ajudam a melhorar o foco, reter informações e até diminuir níveis de estresse.

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Acima de tudo, esteja presente e se disponha a aprender junto

Quando largamos antigos hábitos e inserimos novos, é compreensível gerarmos um certo nível de ansiedade diante do desconhecido. Como mães e pais, soma-se ainda a responsabilidade de tomar a melhor decisão não apenas para si, mas por uma pessoa em formação.

Porém, é preciso que essa cautela venha de uma motivação construtiva, da vontade de aprender junto e alcançar possibilidades – não de um lugar de medo, que cai na proibição. Quando falamos da tecnologia, é fácil perceber que ela não é boa ou má inerentemente; mas sim uma ferramenta que nos permite novas possibilidades de aprendizagem utilizando linguagens, recursos e interações já tão apropriadas por essa geração. Se eles já recebem notificações a cada curtida ou mensagem, por que não proporcionar que os estudos ocupem também esses espaços?

Com o Geekie One, um pedaço da experiência de aprendizagem muda; entretanto, o acompanhamento das famílias nessa fase permanece imprescindível. Elas continuam sendo parceiras de estudos, tirando dúvidas e ajudando a estabelecer rotinas; só que, agora, o fazem em parceria com uma plataforma digital que conversa com e motiva suas filhas e filhos! É preciso, acima de tudo, ver a novidade com os olhos deles e perceber seus riscos, sim, mas acima deles seu potencial de engajamento, interesse e transformação.

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*MARCELA LORENZONI É ESPECIALISTA EM GESTÃO DA EDUCAÇÃO NO NOVO MILÊNIO PELO INSTITUTO SINGULARIDADES E BACHAREL EM COMUNICAÇÃO SOCIAL PELA PUC-PR. ANTES DE ENTRAR NO UNIVERSO DE STARTUPS DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL, FOI PROFESSORA DE INGLÊS EM ESCOLAS DE IDIOMAS, ESCOLAS PARTICULARES E NO EXTERIOR. HOJE, É CONSULTORA PEDAGÓGICA DA GEEKIE. É APAIXONADA POR PROTAGONISMO ESTUDANTIL, TEMA QUE DISCUTIU NO ECOSOC YOUTH FORUM, NA SEDE DA ONU EM NOVA YORK.

 

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