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Alunos criam fortes hábitos de estudo com programa de tutoria do Colégio Fator no RJ

Como influenciar alunos a estudarem e melhorarem seus resultados? Os idealizadores do Colégio Fator, localizado em São João de Meriti, RJ, falam sobre o programa de tutoria, que já mudou a vida de muitos estudantes. Conheça!

O Fator nasceu como um curso, atendendo estudantes do final do Ensino Médio em época de pré-vestibular, e também atendendo estudantes do 9º ano com foco em provas de escolas federais e estaduais para Ensino Médio.

“Foi bom porque aprendemos o que era necessário ensinar durante esses ciclos. Isso nos ajudou a começar a estruturação e planejamento do colégio, que hoje possui turmas do Ensino Fundamental e Ensino Médio”, expõe Rafael Lima, diretor comercial.

Mario Sant’Anna, diretor pedagógico, expõe que um aluno descreveu o Fator assim: “o Fator não é um colégio nem um curso, é uma ideia”. E de fato é – “o Fator é um lugar alegre. Os alunos costumam falar que é a ‘casa’ laranja deles”, fala Rafael.

E o principal diferencial do Fator é o impacto na vida de jovens de baixa renda: “O IDH de São João de Meriti, onde está localizado o Fator, é um dos mais baixos do Brasil. A maioria dos nossos estudantes são de baixa renda”, afirma Rafael. E é a partir de resultados que percebemos a diferença que o Fator teve na vida de seus alunos: no município de São João de Meriti, o colégio foi 1º lugar no ENEM 2017 na redação e também 1º na avaliação das demais áreas do conhecimento. Em todo o estado do Rio de Janeiro, também no ENEM 2017, o Fator foi 12º lugar em redação, e 156º na avaliação das demais áreas do conhecimento. Mario explica que essa foi só “uma primeira conquista. Nosso objetivo é elevar o padrão de educação de São João de Meriti”.

Como ajudar jovens a se dedicarem aos estudos na época de pré-vestibular?

O pré-vestibular é um momento de muita ansiedade, de caminhos não tão claros e próximos passos confusos. O que realmente os jovens querem ser? Qual carreira trilhar? Como ter certeza que o curso escolhido é o curso certo? Pensando em ajudar os jovens a terem mais clareza nesse momento da vida deles, o Fator oferece um programa de tutoria à seus alunos.

Mas como surgiu essa ideia? Rafael explica: “o primeiro objetivo era transformar a visão de educação que nosso aluno tem ao entrar no Fator. Geralmente, ele é a primeira pessoa da família a entrar na faculdade. Por isso, inicialmente, nossa ideia era ensinar técnicas de estudo e organização”.

Mario fala que “precisávamos produzir resultados em nossos alunos, para que conseguíssemos reverter em pouco tempo um impacto de muitos anos de má educação. Hoje, recebemos no colégio alunos que, antigamente, não ficariam no município para estudar, e também alunos que não tinham condições de sair do município.”

Experimentando caminhos para achar o que mais funciona com os estudantes

O programa de tutoria surgiu desde o início do Fator, em 2010, e foi se transformando com o passar do tempo, a partir da experimentação de modelos novos.

Primeiro experimento: conversas sinceras com alunos de baixo desempenho acadêmico

Inicialmente, alunos de baixo desempenho acadêmico eram chamados para conversar. “O objetivo não era motivá-los a atingir aprovação no vestibular, mas sim fazê-los acreditar que poderiam melhorar”, compartilha Mario. Esse modelo foi baseado no livro “Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso”, de Carol Dweck.

Assista ao vídeo abaixo para entender um pouco mais sobre mindset fixo (fixed mindset) e mindset de crescimento (growth mindset).

Para Rafael, “falar com alunos de baixo desempenho acadêmico é diferente”. Nesses casos, é importante ter um cuidado mais emocional do que técnico, e entender a trajetória de vida do estudante, sempre com muita empatia. “Muitas vezes, o motivo para o aluno ter um desempenho baixo não era devido à uma falha no aprendizado, e sim por causa de problemas socioemocionais”, complementa Rafael. E esses problemas podem ser dos mais diversos, como falta de apoio familiar, bullying, dificuldade financeira ou outras questões constitutivas do indivíduo.

Para alunos de baixo desempenho, a escola não costuma ser seu local favorito. Mas, quando eles percebiam esse clima de amistosidade e empatia do Fator, isso gerava o engajamento não só dos estudantes, mas também das famílias deles. Uma frase que os idealizadores costumam ouvir é “em toda minha vida, nunca gostei de escola, e agora eu gosto”.  

“Nas reuniões de pais, a família ficava assustada, chorava, e não entendia o que estava acontecendo com seu filho ou sua filha. Era uma mudança gigante! Ficava um sentimento de muita gratidão pelo trabalho do Fator”, expressa Rafael.

Entendendo ainda mais a fundo a individualidade do aluno

Esse primeiro experimento deu muito certo e consolidou um modelo de tutoria bem conhecido na comunidade escolar. A partir disso, “em 2018, decidimos experimentar uma estratégia diferente, de fazer um acompanhamento mais personalizado”, afirma Mario.

Essa ideia surgiu com base em algumas ações que o Mario já estava fazendo: “eu apoiava o aluno a montar um plano de estudo, e dizia para experimentar algumas técnicas, entender mais sobre neuroeducação, tentar outras metodologias…”.

Mesmo assim, o diretor percebeu que os alunos sabiam o que tinham que fazer, mas muitas vezes não faziam. Por isso, Mario propôs um desafio para os alunos: “durante duas semanas, você vai fazer tudo que tem que ser feito, doa o que doer”.

Rafael explica o motivo do Fator por trás desse desafio: “nós costumamos tentar ter motivação para iniciar alguma coisa e, depois que nos sentimos motivados, começamos de fato a iniciar. Mas muitas vezes não temos sucesso nisso. Por isso, que tal mudar a lógica? Se sacrificar muito durante algum tempo só de execução para, então, tentar criar um hábito que gere motivação”. Mario complementa que “a motivação aumenta quando você enxerga o resultado que já teve”.

Assista ao vídeo abaixo para entender um pouco mais sobre hábitos, a partir de um resumo animado do livro “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg.

E como foi o processo, de fato? “Criei grupos no WhatsApp com os alunos. Combinamos que, todos os dias, eles tinham que mandar foto do trabalho que faziam – anotações em um papel cartolina das metas e o que realizaram no dia”, explica Mario.

E hoje?

Mario fala um pouco sobre o programa de tutoria hoje: “ainda experimentamos algumas coisas. Para quem está começando o programa de tutoria agora, eu peço para começar de forma básica, somente compartilhando comigo a meta de estudo. Para quem já está no programa faz um tempo, fica um pouco mais complexo:

Os estudantes fazem uma análise de como foram os estudos ao longo do dia, falando, então,
– O que tem que mudar,
– Qual é a meta pessoal,
– O que foi cumprido dessa meta,
– A alegria do dia,
– A tristeza do dia,
– A desculpa do dia,
– A frase que deveria substituir a desculpa e
– Quem ajudaram.

E são eles que falam o que tem que ser feito, não eu. Eles não precisam que eu diga, pois conseguem perceber sozinhos”.

O acompanhamento personalizado dos alunos, feito de forma diária, pode ser explicado por um evento de metodologia ágil, chamado Daily Scrum. Leia mais sobre isso clicando aqui.

Quando os alunos estão em um nível mais avançado, ou seja, mais tempo no programa, a missão deles passa a ajudar quem está começando no desafio – essa ajuda tem que ser consciente e escolhida, não pode ser aleatória.

Rafael afirma que era preciso estimular a autorreflexão dos próprios estudantes, a fim de serem capazes de planejar o dia por conta própria, e também de analisarem os caminhos que tomariam. E, a partir disso, os estudantes foram capazes de fortalecer seu próprio poder de execução, desenvolvendo bastante a autonomia na hora do estudo.

Como conduzir um programa de tutoria na minha escola?

Rafael e Mario compartilham que duas coisas são importantes para iniciar um projeto como esse:

– Ao escolher a pessoa responsável pela condução do programa, é importante que ela já tenha uma conexão emocional com os estudantes, para apoiar na sensação de comprometimento entre escola e aluno.

– O responsável irá precisar encontrar jeitos de incentivar a motivação inicial pelo menos de um pequeno grupo e, a partir daí, identificar estudantes que vão aguentar passar duas semanas completamente fora da zona de conforto.

Dentre tantos resultados positivos com o programa, Mario expõe: “começamos a tutoria com alunos do 3º ano e não contamos para as famílias. Na reunião entre Fator e família, os responsáveis não entenderam o que estava acontecendo com seus filhos: do nada mudaram totalmente o estudo, colocaram cartolina no quarto, começaram a treinar irmãos, precisavam jantar rápido porque tinham que estudar… Foi muito bom perceber a mudança de comportamento nos nossos alunos.”

Resultados muito interessantes são possíveis de ser alcançados quando respeitamos o histórico e a individualidade de cada aluno, apoiando-o de forma personalizada, e dando ferramentas e meios para atingirem seus objetivos pessoais.

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