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“É hora de profissionalizar o gestor escolar”, diz organizador do EDUCO Brasil 2016

Evento de gestão escolar para escolas privadas, o EDUCO Brasil 2016 vai promover debate sobre a profissionalização do gestor escolar. A proposta é criar uma rede de gestores para o compartilhamento de experiências e práticas de sucesso.

Conversamos com Harry Guttmann, organizador do EDUCO Brasil 2016, no fim da tarde desta segunda-feira (5). Harry é gerente de projetos da Blue Ocean, especializada em eventos de negócios e gestão – este ano, realizam o primeiro encontro do grupo com foco exclusivo em gestão escolar de escolar particulares. “Em nossas pesquisas, percebemos que o gestor se sente muito isolado”, explica o organizador. “Enquanto os professores têm uma rede em que podem dividir experiências, o gestor não costuma ter muitos iguais na escola. Ele não sabe onde procurar essa troca de boas práticas”.

Todo o evento foi construído com base nos resultados dessa pesquisa, realizada pela Blue Ocean com mais de 50 diretores em todo o Brasil. A começar pela necessidade da formação de rede: em vez de um evento gigantesco, serão somente 100 participantes; o limite foi estabelecido para proporcionar dois dias de diálogo intenso e discussão de situações-problema reais.

“Não há palestras, apenas painéis, debates com um moderador cujo objetivo é não apenas organizar a fala dos convidados, mas também garantir o engajamento do público”. Os participantes foram escolhidos pelo olhar para a escola do ponto de vista de gestão e administração, com menos enfoque pedagógico – e isso também tem um motivo.

Por que falar de profissionalização do gestor escolar?

De acordo com Harry Guttmann, foi possível observar um padrão no perfil dos gestores escolares. A maioria deles esteve, anteriormente, em sala de aula como professor – isso concede um olhar fortemente pedagógico à gestão escolar. Poucos são os gestores com background de Administração, Contabilidade ou Marketing, por exemplo. Portanto, a administração é feita de maneira empírica e responsiva. Ou seja, a gestão reage à rotina escolar, faz o que precisa fazer, mas consegue destinar pouco tempo e esforço ao pensamento estratégico.

“Hoje, 95% do tempo do gestor é dedicado a questões cotidianas: casos de bullying, brigas internas, concessão de descontos, problemas na infraestrutura da instituição”. Harry conta, inclusive, que já passou pela situação em que um diretor precisou interromper uma entrevista com ele porque a rede de wifi da escola havia caído e não havia quem resolvesse o problema técnico.

Um dos objetivos do EDUCO Brasil, então, tornou-se falar da gestão que delega funções operacionais e prioriza a estratégia, a inovação em processos e propostas. “Propomos uma ruptura na forma de pensar a gestão escolar: como profissionalizar o gestor sem mercantilizar o ensino”, conclui o organizador.

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A escola pode ser considerada uma empresa?

Há uma conotação negativa quando se compara a escola particular a uma empresa – afinal, entende-se que seu objetivo final é a formação do ser humano, não o lucro. Porém, Harry acredita que essas não precisam ser metas excludentes: “Ter um profissional que olhe para a escola do ponto de vista da administração, que crie políticas de concessão de desconto e planeje investimentos, vai impactar na qualidade de ensino?”, ele provoca. “Acredito que sim, mas de forma positiva. O trabalho da gestão vai deixar mais claros expectativas e resultados à toda a comunidade escolar”.

Durante o EDUCO Brasil, gestores devem debater como comunicar sua proposta de valor para famílias, alunos e funcionários, como outras escolas se posicionam e quais soluções estão sendo adotadas para atender os principais desafios da gestão escolar: captação de alunos (35%), controle de inadimplência (21%) e retenção dos alunos atuais (15%), segundo enquete realizada pela própria organização.

Não perca: 5 passos que toda escola pode seguir para reter alunos

Como a gestão insere tecnologia nos processos?

Práticas inovadoras no uso de tecnologia também farão parte do evento: “Na enquete, ficou claro que muitos gestores já entenderam que não adianta só passar o conteúdo da lousa para o tablet. Agora, eles buscam formas de transformar efetivamente o processo de ensino-aprendizagem”, diz Harry. Serão apresentados cases de escolas que utilizam Google for Education e possuem FabLab (laboratórios maker).

Saiba mais: Movimento maker nas escolas

Participe do evento

O EDUCO Brasil 2016 acontece no Hotel Matsubara, em São Paulo, nos dias 29 e 30 de setembro. Dentre os painéis, estão “Uso prático e estratégico de dados, indicadores e expectativas” e “Panorama, perspectivas e expectativas para a Educação Básica em 2030”. Confira a agenda completa aqui ou clique aqui para realizar sua inscrição!

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