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As novas formas de produção cultural na sala de aula

As educadoras Denise Braga e Paula Furtado falam sobre a produção cultural e circulação de informações no século 21. Como a linguagem multimídia, as ferramentas digitais e produção coletiva influenciam o trabalho do educador?

Produção cultural na sala de aula: O processo de globalização do mercado e da cultura, ancorado no desenvolvimento das tecnologias digitais a serviço da informação e da comunicação, tiveram um grande impacto na sociedade atual – e, como não poderia deixar de ser, nas demandas das práticas educacionais. Em um processo único na história, esses desenvolvimentos ocorreram de forma bastante acelerada colocando educadores na posição de trabalhar em realidades de sala de aula para as quais não tinham referências em suas práticas educacionais prévias.

Nos dias de hoje, como educadores, estamos também em um momento de transição e transformação: além de termos o papel de socializar os conhecimentos acumulados pelas gerações passadas, somos colocados na situação de entender as mudanças que ocorreram e estão ocorrendo nas formas de construir e compartilhar a cultura.

Produção cultural da escrita à multimídia

Se considerarmos as formas de expressão ao longo da história até recentemente, vemos que o domínio da escrita era uma condição necessária para se ter acesso à produção cultural. A expansão do conhecimento, de um modo geral, dependia da leitura e da escrita. No que diz respeito à formação, nas últimas décadas, uma das principais funções esperadas da escola era formar leitores – não necessariamente escritores. Em um passado não tão distante, poucas eram as pessoas privilegiadas que efetivamente publicavam seus textos.

Outra questão a ser considerada é a de que, desde meados do século 20, já havia a circulação de textos multimídia em um volume crescente; porém, o acesso às tecnologias digitais bem como seu manuseio dependiam de equipes altamente especializadas e envolviam equipamentos caros, inacessíveis para grande maioria da população.

Atualmente, com o avanço das novas tecnologias que envolvem o mundo web, podemos apontar 3 fatores que transformaram a circulação e produção cultural:

  1. Primeiramente, a questão de distribuição dos conteúdos se altera, já que uma única matriz textual, seja ela multimídia ou não, pode ser acessada por um número ilimitado de leitores.
  2. O segundo fator está no fato de que há um conjunto de ferramentas digitais que facilitam a produção cultural e a edição de materiais multimídia, inclusive para leigos. O que antes dependia de equipes técnicas, hoje, pode ser feito por pessoas de diferentes faixas etárias, níveis de conhecimento e condições sociais.
  3. Por fim, a web passou a oferecer um conjunto de recursos e ambientes digitais que motivam as pessoas a se tornar, cada vez mais, divulgadoras desses conteúdos produzidos informalmente.

Basta navegar pela internet para perceber o efeito das mudanças na forma de interação entre usuários – como, por exemplo, ocorre nas redes sociais. A questão que se coloca é: como essas mudanças no nível das linguagens afetam as práticas pedagógicas?

Produção cultural na rotina pedagógica

Compreendemos que mudanças no papel dos professores devem ser consideradas e estudadas, pois estamos também diante de um novo cenário social. Um caminho, por exemplo, é o professor em sala de aula ocupar o lugar de par mais capaz (no sentido vygotskyano do termo). Desse modo, ele orienta seus alunos para que organizem a construção do conhecimento nesse mar de informações transitórias, sendo mais que uma ponte de acesso ao conteúdo.

Mas, para isso, é preciso que o professor busque se aprofundar nessas novas questões que envolvem a cirulação e produção cultural e a construção do conhecimento, em uma formação continuada de uso, experimentação e estudos. Há muitas boas oportunidades de formação, com diferentes abordagens pedagógicas e diferentes valores, e indicamos aqui dois cursos gratuitos e rápidos que são oferecidos no portal da Mupi:

Como educadores, não podemos ignorar que a web está sendo cada vez mais usada como fonte de consulta, troca de informações, meio de aprendizagem, construção e produção cultural. Ou seja, é preciso que, em suas práticas de sala de aula, o educador do século 21 considere essa nova realidade social que faz parte da vida dos alunos e também dos próprios professores.

* Denise Braga é professora titular do Departamento de Linguística Aplicada da Unicamp onde atua como docente e pesquisadora desde 1980. Desde 1996, dedica-se ao estudo do impacto das tecnologias digitais nas formas de comunicação e nas metodologias de ensino, com ênfase na produção de materiais digitais para estudo automonitorado. Foi criadora e coordenadora do curso digital Read in Web, patenteado pela Unicamp em 2014 e registrado como software livre.

** Paula Furtado tem formação em Letras pela Unicamp e é mestra em Linguística Aplicada (sob orientação da prof. dr. Denise Braga), na área de novos letramentos, tecnologia e material digital na mesma universidade. Possui 6 anos de experiência profissional como professora e com a produção de material e-learning e design instrucional. É co-fundadora da Mupi, que oferece cursos de tecnologia educacional. Denise e Paula são as novas colunistas do InfoGeekie e chegam para contribuir com as possibilidades da tecnologia em sala de aula.

6 Comments

  1. 1 de setembro de 2016 at 02:02 — Responder

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    • 22 de março de 2017 at 00:20 — Responder

      Så om jag vill ha en nairza-mbindel på mig så är det ok för dig? Det spelar ingen roll för dig vad den symboliserar?

  2. 2 de dezembro de 2016 at 11:26 — Responder

    Es difícil encontrar a gente con conocimientos sobre este mundillo , pero creo que sabes de lo que estás escribiendo. Gracias compartir un tema como este.

    • 22 de março de 2017 at 00:24 — Responder

      Kellie, a beautiful post. It is sooooooooo cold here today, even in late Autumn that I can barely wait for Spring and Summer! Thank you for bringing some berry nice sunshine to my day.

  3. 22 de março de 2017 at 00:05 — Responder

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  4. 19 de junho de 2017 at 18:11 — Responder

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