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É possível aprender Matemática de forma divertida! Um dos caminhos é o jogo Prime Climb

Nessas férias, que tal conhecer o divertido jogo Prime Climb e trabalhar conceitos de matemática com as crianças? Confira!

Pessoalmente, nunca fui uma maravilha em Matemática, devo logo confessar! Fui daquelas crianças com aprendizagem na média, que adorava estudar de um modo geral, mas que não vivia um apreço genuíno pelos números. Lá se vão muitos anos desde que eu frequentei a escola fundamental e média e por isso consigo especular quais teriam sido as razões que me afastaram das continhas, tabuadas e problemas a serem resolvidos, envolvendo tudo o que não fosse permeado por palavras, mas por uma abstração de outra ordem.

Dito de outra maneira, eu era daquelas que gostava de ler, de escrever (cá estou eu fazendo isso até os dias de hoje e me divertindo muito, aliás), mas, que ao menor sinal de dever de matemática, sentia logo aquela angústia na barriga, aquela vontade de “pular” o exercício ou pedir logo ajuda para um colega mais CDF nesse tópico. Minhas notas eram razoáveis, nunca cheguei a ficar de recuperação ou repetir de ano, mas prazer que é bom com a aprendizagem dos números, eu de fato não tinha. Imagino que deva ter sido, entre outras razões mais prosaicas,  por conta da absoluta falta de empatia da professora que me perseguiu pelos quatro anos do Fundamental II (na época, o que chamávamos de Ginásio). Ela era monocórdia e tinha uma cara de absoluto cansaço com a vida e com as crianças. Falava como se estivesse fazendo um eterno ditado, bem arrastado, onde os alunos deveriam simplesmente obedecer e reproduzir o que estava sendo dito ou escrito no quadro. Desse modo, dá pra imaginar que minha relação com essa disciplina do currículo não tenha sido das mais convidativas, certo? Ela ainda cometia um outro deslize, na minha visão, imperdoável. A cada prova feita pelos alunos da turma, tornava público o resultado de cada um dos alunos, na forma de percentual, dizendo o valor obtido em alto e bom som para toda a classe. Mais ou menos assim: “Luís Eduardo Castro, 50%, C. Débora Garcia, 70%, B”. E assim por diante. Quando eu estava performando bem, me alternando entre os conceitos A e B, tudo bacana. Mas quando deslizava para um medíocre C ou, fatalmente em alguma prova mais complexa, para o temeroso D, nem consigo explicar o constrangimento que isso me causava. Foram poucos esses momentos, mas suficientes para deixar uma rusga na minha relação com essa matéria.

Pois bem, os anos passaram, eu tomei decisões de estudo que se voltaram para as Humanas, fugindo da Matemática o quanto pude no Ensino Médio, a tal ponto que fui fazer um curso técnico de Redação, onde só foi preciso tomar contato com a famigerada matéria ao longo dos três anos de estudo, apenas no primeiro ano, para meu alívio.

Na graduação, pós e mestrado, também, nadica de nada de números na minha vida. Julgava tê-los deixado para sempre no passado, em um canto remoto e intocável da memória de aprendiz que eu julgava não ter mais que acessar.

Até que… Até que eu virei mãe de uma esperta garotinha, hoje com sete anos de idade, prestes a cursar o segundo ano do fundamental em 2018 e ávida por aprender de tudo, incluindo Matemática – por que não? Admito que a insistência do meu marido pelo assunto também ajudou na minha mudança de perspectiva em torno do tema. O fato é que hoje temos em casa inúmeros livros que tratam de ciências, matemática, astronomia e física. Enfim, as chamadas ciências exatas. Aquelas que se dependessem do meu ato inaugural com esses assuntos, estariam fora da jogada ou, no mínimo, relegadas à segundo plano, já que facilmente daria ênfase muito maior de aprendizado para minha filha no campo das humanidades e das artes, onde me sinto absolutamente à vontade!

Noves fora, zero, estamos aqui em casa sempre às voltas com jogos eletrônicos e de tabuleiro que estimulam esses aprendizados de lógica e de cunho matemático para a nossa pequena. E recentemente me deparei com o jogo “Prime Climb”, um verdadeiro achado quando a intenção é aliar aprendizagem e diversão.

Prime Climb põe a família toda para rememorar e/ou aprender matemática!

Prime Climb

Não vou dar spoiler, mas o jogo (clique aqui para ir para o site) é uma excelente maneira de aprender o conceito dos números primos como verdadeiros “blocos de construção” de números e outras habilidades lógicas. Um outro trunfo do Prime Climb é a forma como os números estão dispostos no tabuleiro, facilitando pela combinação de cores as ações de multiplicação e divisão necessárias em algumas das jogadas. Criado por Daniel Finkel e Catherine Kook, do Math for Love , localizado em Seattle, nos EUA, tem a intenção de transformar a maneira de ensinar e aprender matemática. O jogo tem a duração média de 10 minutos por jogador e é recomendado para maiores de 10 anos. Posso garantir que, mesmo os menores, com auxílio dos adultos, podem desfrutar das partidas sem grandes problemas. É um jogo de estratégia e azar para um número médio de 3 a 4 jogadores. Durante a partida, os jogadores podem jogar os dados, mover seu peão, dar “golpes” e roubar dos outros adversários. O objetivo final é levar o peão até o círculo 101, no centro do jogo, tendo percorrido todo o tabuleiro com auxílio de cartas que podem acelerar ou atrasar os movimentos dos participantes, dependendo das operações matemáticas realizadas. O jogo é “americano”, mas, com algum esforço e criatividade, pode ser “reproduzido” em uma versão mais amadora de tabuleiro improvisado por professores e alunos talentosos nas artes manuais. O bacana é o conceito por trás do jogo, a inventividade na hora de estabelecer relações e operações com os números de forma dinâmica.

Prime Climb

Não vou dizer que o jogo sozinho resolveu meus traumas com os números (talvez isso seja coisa para terapia!), mas reinaugurou um certo desejo de me aproximar das operações matemáticas sem tanta cerimônia, deixando-me encantar novamente pela magia que a combinação deles exerce em todos nós, descobrindo um leque de outras possibilidades na hora de entender o mundo que nos rodeia. Acho que esse olhar de espanto e curiosidade é natural em todos nós. Pode ser estimulado por ótimos professores, ou abafado por profissionais não tão atentos assim a essas peculiaridades de aprendizagem de cada um de nós.

Em um mundo absolutamente programado (com trocadilho), é muito importante estabelecer uma relação de bom convívio com a matemática, base de todas essas inovações no campo digital. Essas estratégias lúdicas, como o Prime Climb, podem ser um bom auxílio para diminuir distâncias entre o aprendiz e a Matemática, despertando o encanto que essa disciplina fascinante certamente merece. E olha que isso está sendo dito por alguém que passou a vida torcendo o nariz pra esse assunto!

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* Débora Garcia é pedagoga, mestre em Educação pela UFF, Fulbright Scholar pela Georgia State University, GA, e especialista em Gestão do Conhecimento pela Coppe-UFRJ. É gerente de conteúdo do Canal Futura e uma das autoras do livro “Destino: Educação – Escolas Inovadoras”, publicado pela Fundação Santillana/Ed. Moderna. Em  2017, em conjunto com Daniela Kopsch e  Daniela Belmiro, idealizou e criou o blog “3Devi”, um espaço para contos, ensaios e reflexões da mulher contemporânea.