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O professor que usou o Facebook para ensinar História

O InfoGeekie começa hoje uma série de posts com dicas para o uso de redes e aplicativos sociais na sala de aula. Para a estreia, escolhemos uma rede social que tem nada menos que 1,49 bilhão de usuários (segundo dados da própria empresa): o Facebook. Um levantamento do Pew Research Center feito este ano descobriu que 71% dos jovens do mundo todo estão lá, o que é um motivo e tanto para que os educadores olhem para este post com carinho.

Facebook renascentista

No começo deste ano, Pedro Henrique Castro, professor de História do Colégio Pensi, parceiro da Geekie no Rio de Janeiro, virou notícia por usar o Facebook de uma forma muito criativa. Ele dividiu as turmas do primeiro ano do Ensino Médio em grupos e pediu para que cada um criasse uma página naquela rede social para algum personagem do Renascimento. “Eles deveriam fazer posts e comentários que relacionassem esse período e sua própria realidade, atendendo a um dos objetivos da História, que é usar o passado para pensar o presente”, contou ele para o InfoGeekie. A participação dos alunos foi intensa e muito positiva. “Eu me considero um cara muito otimista, mas os resultados continuam me surpreendendo mesmo assim”, conclui.

Uma das postagens feitas pelos alunos de Pedro. (Imagem: Reprodução/http://razoesparaacreditar.com/)
Uma das postagens feitas pelos alunos de Pedro. (Imagem: Reprodução/http://razoesparaacreditar.com/)

Pedro também levantou um ponto importante: estar nas redes sociais não é só uma questão de estar “conectado”, mas é também dar mais oportunidades para que os alunos se expressem. “Para mim, parece claro que nossos estudantes abraçarão qualquer oportunidade que lhes for dada para isso. Dessa forma, podemos tirar o máximo de sua capacidade e criatividade”, afirma.

Para ele, o segredo para que o professor seja bem-sucedido usando o Facebook é ter um profundo conhecimento da turma com a qual está trabalhando. Assim, ele poderá criar algo que realmente atenda às necessidades e interesses de seus alunos. Além disso, ter um bom planejamento é fundamental. 

Veja essa e outras dicas no bate-papo abaixo.  

InfoGeekie: Como você teve a ideia de usar o Facebook em suas aulas? Já havia usado recursos do tipo
Pedro: Eu sempre tento desenvolver atividades que coloquem os estudantes como sujeitos do próprio aprendizado. Acredito que isso pode ser feito de várias formas, por exemplo: trazendo elementos da cultura do estudante para dentro de sala, estimulando todos os seus sentidos através do áudio e da imagem ou incentivando a sua contribuição para opinar e debater. O trabalho com Facebook faz um pouco de cada uma dessas coisas. É uma linguagem que o estudante domina, da realidade dele, que usa vídeos, imagens, músicas e ainda permite que se expressem.

Como foi o planejamento para esse trabalho com a rede social?
Fazer atividades novas sempre leva tempo e essa não foi diferente. Tem que montar plano de aula, desenvolver metodologia, estabelecer critérios de avaliação e objetivos claros e eles variavam de turma para turma de acordo com o que eu considerava importante abordar com cada uma.

Você continua usando o Facebook e outras redes sociais em suas aulas?
Fiz a mesma atividade mais uma vez e depois não usei de novo. Não sou favorável a utilizar os mesmos trabalhos e padrões pré-determinados para todas as turmas ao longo dos anos. Cada turma é uma turma. O professor tem que saber quais as características e necessidades do seu grupo de estudantes para poder propor atividades de acordo. O trabalho que funcionou muito bem com aquele grupo naquele momento poderia não funcionar em outro grupo ou até com o mesmo grupo em outro momento.

(Imagem: Reprodução/Facebook)
(Imagem: Reprodução/Facebook)

Como ajudar os alunos a não se distraírem enquanto fazem tarefas no Facebook?
Tentar coibir ou coagir os alunos a se manterem focados não dá certo. Cada vez é mais fácil usar distrações sem ser percebido. Acredito em apresentar a eles conteúdos e formas que tenham impacto na sua vida. Se um aluno acredita que um debate é relevante no seu dia-a-dia, ele presta atenção. Dar significado ao que estudantes vêem todos os dias à sua volta sem perceber que tem significado.

Que dicas você daria para os educadores usarem o facebook em suas escolas? O que eles devem levar em conta na hora de planejar isso?
Como eu disse, cada turma é uma turma e não acredito em soluções a priori. O professor que deseja realizar uma atividade tem que conhecer sua turma e saber o que a caracteriza. Não adianta pensar em um bom trabalho e tentar impô-lo às(aos) alunas(os). Tem que saber ouvi-los e construir a educação em conjunto.

>> Alerta de segurança

Antes de colocar um plano envolvendo redes sociais em prática, é preciso estar atento a certas questões envolvendo a segurança e privacidade de seus alunos. Se seus alunos forem menores de idade, obtenha a permissão dos responsáveis antes de realizar qualquer atividade que envolva a divulgação de sua imagem (o que inclui fotos, vídeos, entre outras coisas).

Além disso, avalie com cuidado o tipo de conteúdo que será compartilhado com o mundo e tome medidas para que informações pessoais dos alunos (incluindo sobrenome) não sejam divulgadas. Quando se trata de redes sociais, especialmente as maiores, como o Facebook, sempre existe a chance de um conteúdo viralizar, o que promove grande exposição dos envolvidos. Leve sempre em conta essa possibilidade e cuide para que os perfis ou grupos sejam fechados e possam ser acessados somente pelas pessoas envolvidas.

No caso dos perfis a serem criados para determinado projeto, é aconselhável configurar a privacidade de todos os posts e fotos para que fiquem visíveis apenas para os “amigos” (ou até usar uma configuração personalizada, permitindo para somente algumas pessoas específicas) em vez de público. No caso dos grupos, no momento da sua criação, escolha a opção “fechado”. Assim, outros poderão ver o grupo, mas não as publicações. Escolhendo a opção “secreto”, só poderão ver o grupo aqueles que forem convidados; ele não aparecerá em buscas. Páginas são sempre públicas, então podem ser menos recomendáveis para atividades pedagógicas.



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4 Comments

  1. 1 de setembro de 2015 at 12:40 — Responder

    […] Contamos a história dele no blog da Geekie, neste link. […]

  2. 8 de dezembro de 2015 at 10:44 — Responder

    […] Para saber mais, você pode ler a entrevista que publicamos com o professor neste link. […]

  3. 22 de dezembro de 2015 at 13:35 — Responder

    […] Para saber mais, você pode ler a entrevista que publicamos com o professor neste link. […]

  4. 14 de novembro de 2017 at 16:30 — Responder

    This really answered my problem, thank you!

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