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O Papel da Língua Estrangeira no Enem – Parte II

No nosso último artigo sobre o tema, concluímos que no Enem o caráter funcional da linguagem é avaliado pela competência do aluno em conhecer e usar a língua como instrumento de acesso a informações e a outras pessoas e culturas.

As habilidades necessárias para um bom desempenho nessa área consistem em decodificar e associar palavras, expressões e imagens contidas em um texto ao seu tema, função e uso social. O aluno que é consciente dessas habilidades pode, então, fazer uso de determinadas estratégias de leitura, como antecipação, referenciação e inferência. Vamos aos exemplos.

A Tall Order e The sky isn’t the limit são o título e o subtítulo, respectivamente, de uma reportagem da revista Newsweek. Após inevitavelmente passarmos por uma tentativa de tradução – isso é imediato ao cérebro monolíngue –, temos que nos ocupar com o significado dessas expressões e lembrarmos que um bom título e subtítulo introduzem de maneira resumida (e às vezes conotativa) o assunto do texto. Nesse momento, temos um brainstorm de expressões que só farão sentido quando confirmadas – ou refutadas – pelo próprio texto: “pedido alto?”, “o céu não é o limite?”, “algo grande, ambicioso, próspero etc.”. Isso que chamamos de antecipação (preview, em inglês) indica uma abordagem (approach) ao texto, uma “chave de leitura” com expectativas sobre o texto.

O próximo passo é ler a reportagem com essas ideias na cabeça, procurando exemplos para as hipóteses. Isso é associação de palavras, expressões e imagens de um texto ao seu tema (Competência 2, Habilidade 5). A bagagem cultural que temos, mesmo em conhecimentos não acadêmicos, é um fator que age diretamente sobre nossa capacidade de antecipação e de inferência. Veja o exemplo do enunciado de um item Enem que avalia o desempenho do aluno nessa habilidade: “No título e no subtítulo desse texto, as expressões A Tall Order e The sky isn’t the limit são usadas para apresentar uma matéria cujo tema é:”.

Referenciação é outra estratégia de leitura eficaz. Leia o poema abaixo e observe os termos destacados.

The Road Not Taken (by Robert Frost) 

Two roads diverged in a wood, and I —

I took the one less traveled by,

And that has made all the difference. 

Esse trecho do poema foi usado para avaliar o desempenho do aluno em utilizar os conhecimentos da Língua e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas (Competência 2, Habilidade 6). Nesse caso específico, o termo “conhecimento da Língua” está relacionado aos elementos internos de coesão como, por exemplo, pronomes: the one / that. Ao entendermos os termos aos quais esses pronomes se referem, descobrimos o tom e o sentido que o poeta busca expressar. De duas estradas (two roads), o eu-lírico escolheu uma (the one) e essa escolha (that – o fato de ter tomado/escolhido aquele caminho menos viajado) fez “toda a diferença”. Sabendo das referências e das relações entre os termos, conhecemos a lógica interna, o sentido desses versos (obviamente tendo passado pela antecipação, pela tradução de termos etc.). Sabendo, ainda, que os poemas apresentam linguagem figurada, esse item, no seu enunciado, “traduziu” a linguagem poética para auxiliar o aluno na interpretação: “Estes são os versos finais do famoso poema The Road Not Taken, do poeta americano Robert Frost. Levando-se em consideração que a vida é comumente metaforizada como uma viagem, esses versos indicam que o autor:”.

Os dois usos de estratégias ilustrados aqui (existem outras) podem ser mais ou menos complexos de acordo com o gênero e tipo de linguagem. Tais estratégias não são usadas de maneiras isoladas – o ato de leitura é complexo e ativo! O importante é estarmos atentos às pistas e aos elementos da Língua que nos indicam uma abordagem mais confiante ao texto.

* Por Eduardo Francini, Colégio Luiz de Queiroz – CLQ
eduardo.francini@clq.com.br

1 Comment

  1. 9 de agosto de 2016 at 01:17 — Responder

    This is so right. The use of biogas/ solar does have these issues, and there is much to resolve yet I am certain, but your article higghilhts important points, and it is great to see these debated hotly. Renewable energy from this source can only ever be a good , I think.

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