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A invisibilidade das mulheres na ciência

Pense rápido: quantas mulheres na ciência você conhece? Ou inventoras? Quantas mulheres você lembra de ter estudado na escola por terem feito uma descoberta incrível?

Salvo algumas exceções, estamos muito acostumadas a ler, ouvir e estudar sobre homens que atuam nessa área. E pode parecer que não, mas isso tem impacto alarmante, pois é notável a menor quantidade de meninas que optam por cursos como engenharia e física na faculdade. Por consequência, hoje, apenas 5% dos reconhecidos pelo prêmio Nobel – o máximo reconhecimento de excelência na ciência – são mulheres.

O que podemos fazer para que, no futuro, apareçam cada vez mais Ada Lovelaces e Marie Curies?

Onde estão as mulheres na ciência?

Apesar dos dados acima serem desanimadores, existem pesquisas dizendo que, aqui no Brasil, as mulheres já são responsáveis pela produção de metade dos artigos científicos que são produzidos no país. Na área de saúde, as mulheres são responsáveis por um em cada quatro estudos publicados, mas é nas ciências exatas que a realidade muda: publicações desta área possuem mais de 75% de homens em sua autoria.

A ausência das mulheres nas ciências exatas acontece desde cedo, devido a um estereótipo cultural que diz que meninos são melhores na matemática do que meninas. E a prova de que esse estereótipo acompanha as meninas até a vida adulta é o fato de que as mulheres são menos de 20% dos estudantes dos cursos de ciências exatas da USP.

Como trazer as meninas para a ciência?

Sem muitas referências femininas na ciência e com o preconceito ainda existente na sociedade, as meninas se sentem pouco motivadas a buscarem uma carreira na área científica.

Para inverter o quadro atual, é preciso desconstruir muita coisa. Existem pesquisas que dizem que os brinquedos e as brincadeiras vistas como “de meninas” acabam sendo um fator importante que afastam as garotas da ciência. Enquanto meninos são estimulados com brinquedos de construir, montar e consertar, meninas possuem brinquedos muito relacionados com trabalhos domésticos (bonecas, panelas, ferros de passar, etc).

Existem outros estudos que mostram que 5 em cada 6 meninas acreditam que são valorizadas por sua aparência, e não pelo seu intelecto, e que meninas de 6 anos acreditam que apenas meninos podem ser “gênios”. No entanto, outros estudos mostram que, em países que possuem maior igualdade entre gêneros, as meninas chegam a ir melhor em matemática do que os meninos.

É importante estimular as meninas desde cedo para que elas pensem que são inteligentes, e não somente bonitas. Que acreditem que são capazes de fazerem descobertas científicas e que podem ser, sim, tão inteligentes quanto seus colegas rapazes (ou até mais). Incentivando meninas mais novas a serem cientistas é o primeiro passo para que tenhamos cada vez mais referências femininas na área e, quem sabe, possamos chegar aos 50% dos reconhecidos pelo prêmio Nobel.

Fontes

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* Carolina Brandão é bacharel em Ciências Biológicas com habilitação em Biologia Marinha pela Unesp e pós-graduada em Manejo e conservação de fauna silvestre pela Universidade de Santo Amaro. Trabalha como redatora, editora e revisora técnica de materiais didáticos desde 2010 atuando na área de Ciências da Natureza e em 2014 ingressou na Universidade de São Paulo no curso de licenciatura em Ciências. Entrou para a Geekie no início de 2017 e atua hoje como editora de textos.