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Gestão de tempo na sala de aula aumenta o engajamento dos alunos

Consultora de Técnicas Didáticas e Gestão para a Aprendizagem, Silvana Tamassia dá dicas de gestão de tempo na sala de aula para envolver alunos e diminuir indisciplina!

Ao escrever a coluna desta semana, ficamos pensando em quais seriam os maiores desafios da gestão na escola e, desta vez, optamos por colocar o foco na sala de aula. Entre essas quatro paredes, percebemos que a gestão de tempo é um dos desafios essenciais – e que pode ser superado com estratégias simples, ao alcance de todo professor.

Segundo a pesquisa Conselho de Classe, realizada pela Fundação Lemann em parceria com o Instituto Paula Montenegro, uma das maiores queixas do professor sobre suas dificuldades em sala de aula é a indisciplina dos alunos, citada entre os três problemas mais urgentes por 38% dos entrevistados.

Em nossa experiência com escolas de diferentes lugares do Brasil, temos percebido, também, uma grande dificuldade em lidar com essa questão. Por isso, vamos trazer aqui algumas estratégias de gestão de tempo que usamos em nossas propostas de formação e que têm contribuído com diversos professores pelo Brasil.

Gestão de tempo

Pode parecer uma coisa simples, mas dizer aos alunos quanto tempo eles têm para realizar uma tarefa ajuda muito no engajamento deles com a aula.

Quando o professor diz para o grupo: “temos 15 minutos para resolver esta questão”, e vai avisando quando o tempo está acabando, ele direciona todos para o trabalho e faz com que o aluno não perca o foco na atividade.

Muitas vezes, acabamos deixando o tempo das atividades livre até que todos terminem; porém, não damos a eles uma previsão de quanto tempo seria suficiente para realizar o trabalho. Assim, não contribuímos para que eles aprendam a gerenciar seu próprio tempo, fazendo com que alguns alunos acabem rapidamente, enquanto outros ficam a aula toda no mesmo exercício, o que pode gerar conversas e a dispersão do grupo.

Então, ao iniciar a aula, vale a pena já indicar aos alunos qual a agenda do dia e, a cada atividade, indicar o tempo disponível. Com o tempo, os próprios estudantes começam a se exigir essa disciplina, ajudando um ao outro no processo de organização pessoal. Fazendo isso, construímos uma atitude de corresponsabilidade com a organização, com o tempo de aprendizagem e com a turma de alunos.

Sabemos que as salas de aulas são compostas por alunos com tempos de aprendizagens diferenciados; mesmo assim, é possível que o professor estruture o horário das atividades – aliás, esse processo irá ajudá-lo a atender ainda mais a complexidade da sua sala.

Você pode estar se perguntando: mas como posso fazer a gestão de tempo se, na minha sala, eu tenho alunos que sabem x e y e outros que nem sabem x? Pois bem, o que estamos sugerindo aqui é a organização do tempo da atividade, não de uma atividade única! Não se esqueça de que você precisa ter atividades diferenciadas para alunos com necessidades diferenciadas, ou comandas diferenciadas para a mesma atividade – mas todas elas precisam de um tempo para ser realizada.

Apesar de os alunos terem diferentes necessidades, todos podem e devem saber qual o objetivo de determinada atividade e qual é o tempo que possuem para fazê-la.

Marcar etapas

Outra estratégia simples é deixar claros o começo e o fim de cada atividade da aula, marcando momentos curtos (se possível, a cada 10 ou 15 minutos para que eles percebam que uma fase acabou e a seguinte já está começando).

Por exemplo, quando o professor for introduzir um assunto, ele pode começar a aula dizendo: Vamos começar agora a discutir sobre o Ciclo da Cana-de-açúcar no Brasil. Então, ele pode fazer, num primeiro momento, 10 minutos de aula expositiva dialogada sobre o assunto e, ao terminar, explicitar isso aos alunos: Agora, vamos passar a outro momento da aula onde vocês irão discutir, em duplas, qual foi o maior problema enfrentado na produção da cana-de-açúcar. Para encerrar, nesta etapa vamos registrar nossas conclusões individualmente. Desse modo, o professor ajuda o aluno a se envolver em cada um dos momentos planejados.

Além disso, a estratégia de quebrar a rotina em espaços curtos de tempo imprime um ritmo envolvente à aula e mantém o foco e a atenção do grupo, evitando que dispersão e, consequentemente, a indisciplina.

Ao pensar na gestão de tempo, é importante que esses momentos não sejam longos demais, intercalem momentos expositivos, de produção em grupo e produção individual. Mas atenção: cuidado com as transições de um momento para o outro – elas devem ter comandos claras para que sejam rápidas. O foco precisa estar na atividade, não na organização da atividade.

Leia mais: “Indisciplina na sala de aula não é normal”, diz professor

Momento de atenção

Uma ideia bem simples, que pode funcionar na gestão de tempo tanto com crianças quanto com adolescentes e adultos, é marcar com gestos ou palavras o início de um momento de atenção, onde todos devem parar para ouvir uma nova explicação.

No Ensino Fundamental, uma estratégia muito usada é a contagem regressiva: Vamos começar agora… Em 3, 2, 1! No 1, todos deverão estar em seus lugares e ouvindo o que será apresentado. Essa ação pode ser realizada, por exemplo, quando se pretende que os alunos se organizem em grupos de maneira rápida. O professor pode dar as orientações, dividir os grupos, e então, fazer a contagem regressiva para que todos estejam organizados, começando em 10, 9, 8….1. O mesmo vale para quando os alunos precisam voltar aos seus lugares, após um trabalho em grupo ou atividade externa, para que o professor possa retomar a aula com alguma explicação ou fechamento.

Uma proposta que funciona bem com os mais velhos, e que já vivenciei muito na formação de adultos, é usar gestos, como levantar a mão para anunciar o pedido de concentração no início de uma nova atividade. Quando o professor levanta a mão, todos devem seguir seu exemplo – ao ver o professor e outros colegas com as mãos levantadas, o aluno que ainda não tinha percebido a movimentação vai rapidamente se preparando este momento. É como uma onda na sala: um após o outro, todos erguem as mãos até que a sala esteja em silêncio e o professor possa continuar com sua explicação.

Leia mais: Gestão escolar: os desafios de ser um bom líder

Maior engajamento = menor dispersão

Sei que podem parecer ações muito simples, mas, se colocadas em prática diariamente, elas podem criar uma cultura de engajamento poderosa na sala. Em vez de perder tempo com questões secundárias que podem gerar dispersão e indisciplina, o professor foca todo o tempo disponível na aprendizagem!

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* Silvana Tamassia é formada em Pedagogia com especialização em Psicopedagogia e Educação Infantil pela UNIA e mestre em Educação pela PUC-SP, na linha de pesquisa sobre formação de professores. Tem 22 anos de experiência na área da educação, a maior parte deles como professora de Ensino Fundamental e coordenadora em escola pública. Foi premiada em 2007 com o Prêmio Escola Nota 10, concedido pela Fundação Victor Civita da Revista Nova Escola, na sua primeira edição para gestores. Atualmente, é consultora educacional da Fundação Lemann no Programa de Técnicas Didáticas e Gestão para a Aprendizagem e sócio-fundadora da Elos Educacional atuando em parceria com a Fundação Lemann na coordenação dos Programas de Formação de Professores e Gestores. Para dúvidas ou sugestões, escreva para silvanatamassia@eloseducacional.com.

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