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Geekie One e Colégio Fator: mais uma história de amor

ESPECIAL PROFESSORES MULTIPLICADORES

Nos primeiros artigos do Especial Professores Multiplicadores, conhecemos a experiência de Maja Callegari, do Colégio Koelle, de Rafael Ribeiro, do Colégio Mater Dei, e de Adislan Fernandes, do Objetivo Porto Velho.

Relembre a agenda de artigos do Especial:

  1. Maja Callegari: “O que, de fato, significa ser uma professora multiplicadora?”
  2. Rafael Ribeiro: “A importância do professor multiplicador na organização escolar”
  3. Adislan Fernandes: “Quais foram os resultados de ser “Professor Multiplicador Geekie” para a minha vida profissional? #sóvai
  4. Bruno Abdon: O engajamento dos professores no novo fazer pedagógico
  5. Mario Sant’Anna: Mais uma história de amor…

Neste último  artigo, vamos entender como foi participar do projeto “Professor Multiplicador Geekie” para Mario Sant’Anna, diretor do Colégio Fator.

Mais uma história de amor…

Por Mario Sant’Anna

O ano era 2007. Após um período de gestação de alguns anos, nasce o Colégio Fator. Professores inconformados com a forma como a educação era tratada se uniram. Pessoas com um enorme desejo de impactar suas próprias vidas e das pessoas ao seu redor.  Após levantar os empréstimos que eram possíveis de serem dados a jovens de, em média, 24 anos, e moradores de regiões não muito nobres do Rio de Janeiro, o Colégio Fator abre suas portas em São João de Meriti, município da Baixada Fluminense. Suas armas eram uma indomável vontade de fazer acontecer e paixão por seu objetivo. Suas limitações? Inexperiência e pouquíssimo dinheiro. A luta maior seria transformar a realidade de um município onde o histórico de investimento em educação era muito baixo. Dez anos se passaram, e o Colégio Fator cresceu em tamanho e em número. E, com a identidade formada, era o momento de fortalecimento e maiores realizações. Sonhavámos e continuamos sonhando em impactar o mundo.

O ano era 2011. Nasce, em São Paulo, a Geekie. Uma empresa de educação com apoio de inovação e o objetivo de contribuir para a transformação da educação. Com objetivos tão alinhados, foi impossível para o Colégio Fator não se apaixonar. Começa um namoro, mas de apenas uma das partes. Faltava ainda comunicarmos a Geekie que ele tinha começado! Mas, em uma bela manhã de sol, um resultado de um Geekie Teste realizado por alguns estudantes chamou nossa atenção. O Fator se apresentou à Geekie e ali um relacionamento mais próximo teve início.

Chega o ano de 2017, e nós do Colégio Fator estávamos muito felizes com as aprovações no vestibular e com o engajamento de nosso público. Foi, então, que surge um convite maravilhoso e, ao mesmo tempo, inquietante. O Geekie One, uma plataforma de educação personalizada estava sendo criada. Uma solução integrada, que respeita o ritmo e as características de cada escola e que fundamenta-se em três pilares: conteúdo significativo, digital e flexível; aprendizagem ativa com foco no aluno e dados para diálogo e decisão pedagógicas. E a missão foi dada. O Colégio Fator e mais alguns colégios no Brasil foram convidados para vivenciar e colaborar com uma nova ferramenta tecnológica na sala de aula. Um convite maravilhoso, não? Na verdade, para nós foi desafiador, e por vários motivos. Ao longo da nossa jornada, elaboramos nosso material didático que servia de base para o nosso modelo de sucesso. Tanto pela parte pedagógica, ao qual todos os alunos e professores já estavam adaptados e gerando bons resultados, quanto pela parte financeira. Produzíamos nosso material e, com isso, conseguimos reduzir o custo dele para nosso cliente, sendo a escola com menor valor de material didático na região. Dentro da nossa realidade, isso era muito relevante para nos manter competitivos, viabilizar um acesso justo aos nossos clientes que, em geral, estão na base da pirâmide, e ainda obter lucro. Ao adotar o Geekie One também precisaríamos nos reorganizar financeiramente. Nossas opiniões como gestores estavam divididas. E, após muito esforço e transparência de ambas as partes, chegamos a uma solução viável. Adotamos o Geekie One apenas na turma de 3° ano do Ensino Médio.

Superada essa etapa, precisávamos iniciar os trabalhos. E, nesse processo, precisávamos anunciar o noivado para os outros personagens da trama. Professores, coordenadores, pais, alunos e… o celular. Como cada um reagiria? Como a Geekie nos apoiaria? Suportaríamos o peso de mais processos? E o medo de usar um material didático totalmente digital? Como administrar o uso do celular como ferramenta de aprendizado, quando o mundo o critica por ser um dos maiores entraves para o aprendizado dos jovens? Foi uma história de dúvidas, dores e preocupações, mas também de amizade, superação e construção. Pode parecer uma visão romantizada de um processo de implantação de um aparato tecnológico, mas não quero desumanizar esta trajetória, pois, apesar de estarmos falando do uso de máquinas e tecnologias, um elemento continua sendo central nisso tudo: pessoas.

A comunidade escolar e seus sonhos de mudar a educação e transformar vidas

Todos temos sonhos. Diretores de escolas sonham em transformar vidas. Professores sonham em fazer a diferença na trajetória de milhares de jovens e também querem realizar seus próprios anseios. Os estudantes querem se encontrar na história que começam a escrever no mundo. Os pais depositam suas esperanças no desenvolvimento de seus filhos para que alcancem a idade adulta realizados e estabilizados. E, juntos, trabalhamos arduamente e, no final, tudo dá certo e todos são felizes para sempre. Foi lindo isso, não é? Mas a realidade é um pouco diferente. Não querendo ser pessimista, mas, se você trabalha com educação, reflita comigo: nós, diretores, sonhamos sim. Mas a correria do dia a dia afoga os sonhos em milhões de tarefas, atendimentos a pais e alunos, questões burocráticas, administrativas, legais, o garoto que bateu no amigo, a mãe que reclamou que o material está R$ 0,004 mais caro… Problemas e mais problemas. Nos acostumamos a resolvê-los. Mas, muitas vezes, deixamos de nos sentirmos plenos naquilo que temos a vocação para sermos: líderes.

Mas como a adoção do Geekie One me fez um professor multiplicador?

A implantação e bom uso das funcionalidades do Geekie One precisaria de um bom trabalho logístico de capacitação e acompanhamento das pessoas, certo? Sem esse acompanhamento o uso da ferramenta poderia ser raso demais. Por isso, fui convidado pela Geekie a atuar como um multiplicador no Fator, fazendo parte de uma rede junto de outros 4 professores de outras escolas.

Assim, ser um professor multiplicador não era ser somente a pessoa que cuidava da implantação do Geekie One na escola, como também o profissional responsável por fazer a ponte entre o “antigo” e o “novo”.  Podemos entender aqui como “antigo” a escola tradicional no seu sentido mais amplo. Aulas expositivas com pouco uso de tecnologia, sem conhecimento de metodologias ativas, alunos com baixo grau de protagonismo, professores e coordenadores com poucos dados para análise e tomada de decisões, e direção com visão restrita sobre a evolução da educação no mundo. O “novo” seria o contrário disso tudo.

Semanalmente, esse grupo de professores multiplicadores conversava por Hangout com a Dija, consultora pedagógica da equipe Geekie. O objetivo desses momentos era fazermos o máximo de troca de experiências sobre o uso em todas as suas nuances do Geekie One. Imagine 5 escolas diferentes, públicos diferentes, metodologias diferentes, mas com problemas comuns a todas as escolas. O resultado foi uma troca maravilhosa de conhecimentos e aprendizados. Cada multiplicador trazia problemas e soluções tanto no uso do Geekie One, como em outros aspectos de gestão de escolas, engajamento de professores e alunos, boas práticas desenvolvidas por professores, coordenadores e diretores. Dividimos dores e alegrias e crescemos muito orquestrados pela equipe Geekie. Fomos apresentados a diversas metodologias das quais posso destacar o Design Thinking. Muitas das práticas desenvolvidas nesse encontro passaram a fazer parte do meu repertório de ações no Fator. Ganhamos amigos que admiramos muito, e aprendemos bastante.

E, durante esses seis meses do projeto “Professor Multiplicador Geekie”, fui responsável pelos seguintes processos:

  • Implantação do Geekie One, com uma comunicação clara e transparente, fundamental para uma boa aceitação por parte de todos,
  • Adequação da infraestrutura de dispositivos e conexão de internet da escola para utilização do Geekie One,
  • Reuniões semanais de trocas virtuais com os outros professores multiplicadores,
  • Apoiar coordenação, professores e alunos no processo de uso do Geekie One,
  • Conversas semanais pessoalmente e também por WhatsApp com professores e alunos para entender seus desafios,
  • Acompanhamento de dados via planilhas,
  • Participação em eventos realizados pela Geekie,
  • Feedbacks de toda a comunidade escolar para a Geekie.

A teoria do castelo e a importância de conhecer outros reinos

Tenho uma teoria. As escolas são lugares muitas vezes cheios de amor e idealismos. E que continuem assim. Mas, muitas vezes, são muito pouco parecidas com empresas nos quesitos organizacionais. São pouco profissionais. Não usam ferramentas de gestão adequadas, não usam dados estatísticos para tomada de decisões. Sequer sabem o que são indicadores. E são grandes bolhas que não enxergam o mundo por cima de seu muro.  São castelos. Por vezes, os diretores são os reis. Outras vezes, os responsáveis dos alunos são os reis, e, os diretores, príncipes. Os alunos, súditos, e nem sempre tão fiéis. Mesmo em diversos contextos, uma coisa é certa: muitos diretores acreditam que seu reino é o melhor de todos, e acreditam que não é preciso conhecer outros reinos nem outras práticas. Muito menos pensar em mudar as tradições. Outras até querem. Mas… Por onde começar? Onde arrumar tempo? O desconhecido é o maior inimigo que se senta ao lado do trono todos os dias como um cachorro velho que ninguém vê. Esse cenário se apresenta até em escolas que obtiveram sucesso em suas regiões. Mas o mundo tem se transformado muito rápido fora das muralhas.  E levantar do trono e começar a conhecer o mundo se faz cada vez mais necessário.

O Colégio Fator já tinha identificado isso há algum tempo. Mas muitas dessas dificuldades nos impediam de dar passos rumo ao mundo. Começamos timidamente a estudar, pesquisar, observar mais outras empresas que admirávamos. E queríamos fazer isso tudo sem deixar nossa identidade de lado. Um dia bate à nossa porta um estrangeiro. Quando conhecemos a Geekie, era como se tivéssemos conhecido um andarilho. Quase um pequeno príncipe. Alguém que já tinha andado por muitos reinos e conhecido muitos reis, rainhas e culturas diferentes. Falava sua própria língua da tecnologia mas aprendia mais e mais a língua dos reinos do mundo da educação. Era o melhor dos dois mundos. E, com tanto acúmulo, poderia, agora, como um viajante que conta histórias e exibe fotos, mostrar um pouco de cada lugar por onde passou. Com sede de mais acúmulo para, quem sabe, conhecer mais ingredientes, especiarias e ferramentas, e encontrar receitas que fossem boas para todos os povos. Um mundo novo nos foi apresentado e ficamos maravilhados com essa viagem mesmo sem sair do lugar.

A adoção do Geekie One nos trouxe uma ferramenta que facilitaria muito nossa vida. Veio apoiada por um suporte técnico, um aporte de metodologias, estudos, boas práticas e também um povo muito disposto a compartilhar. Desde técnicas de levantamento de dados, de interação com alunos e professores, ferramentas de comunicação, conceitos e práticas de design thinking, até dinâmicas e metodologias ativas de aulas e reuniões. Hoje, percebemos que entregamos com muito carinho um pouco de nossa cultura, das ferramentas que desenvolvemos em nossa escola e das nossas práticas de engajamento e, com isso, contribuímos um pouquinho com o acúmulo que esse andarilho chamado Geekie vai levar para outras escolas, para outros reinos.

Gratidão. Essa palavra resume bem o que senti ao fim desta etapa de trabalho como multiplicador. Foram muitos os aprendizados que estão revolucionando a maneira como estou conduzindo meus projetos e minhas aulas. Participar deste projeto abriu muito meus horizontes, e me encheu de mais e mais vontade de mergulhar em estudos e experiências em busca de uma educação realmente significativa para todos que participam da jornada. À Geekie, meu muito obrigado pelo convite e pelo respeito, amizade e carinho que me ofereceram.

Tudo levou a um crescimento e amadurecimento enorme de toda escola. O final? Acho que ainda está muito longe. Mas a trajetória já está sendo bem feliz. Vamos mudar o mundo!

Com este artigo, finalizamos nosso Especial de Professores Multiplicadores. O sentimento que fica é de gratidão por esses profissionais terem compartilhado com a gente tantas experiências incríveis!

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