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Escola terá mais tecnologia e menos disciplinas, defende curadora da Bett

O tema da Bett Brasil Educar 2016, maior evento educacional do país, é Melhor educação, melhor sociedade. Para discutir a qualidade da escola – e como ela afeta a vida e a prática social – a curadora Vera Cabral, consultora em Educação, reuniu especialistas em cinco grandes eixos: profissão e formação docente; práticas escolares; políticas educacionais e inovações curriculares; aprendizagem, ciclos da vida e ciclos da escola; gestão e qualidade social (veja a programação completa aqui). Conversamos com Vera para explorar alguns dos temas mais relevantes que serão abordados no congresso e pontuar quais tendências ela observa para o futuro da escola no Brasil.

Partimos da premissa do evento de que a educação deve atuar como ferramenta de transformação social. Infelizmente, na opinião de Vera, esse papel se observa muito mais no discurso do que na prática das escolas. “Continuamos muito centrados em um tipo de educação fortemente conteudista. Esse tipo de educação, que prevalece na maioria das escolas brasileiras, afasta a escola da sociedade”. Para ela, a divisão que coloca a escola como guardiã do conhecimento, enquanto a sociedade e família, por outro lado, são responsáveis pela formação mais ampla é antagônica. “Ora, sem dúvida a escola deve focar no conhecimento, mas ele precisa estar integrado à vida”, argumenta Vera. Quando isso não é posto em prática, a escola é vista como uma instituição sisuda, solene e chata.

Um caminho de integração é aquele em que a escola desenvolve habilidades para que os jovens saibam mobilizar conhecimentos e recursos com um objetivo. Essa foi, por exemplo, a proposta do ENEM em sua criação, na década de 90: avaliar as competências dos alunos, em vez de conhecimentos específicos.

“Temos uma tendência a enquadrar tudo o que acontece na escola como ‘disciplina’. Essa é uma lógica que fragmenta o trabalho e o coloca em ‘caixinhas'”.

Perguntamos à consultora se, então, a solução seria reformular o currículo escolar para que incluísse algumas das temáticas consideradas “do século 21”. Há, hoje, um debate bastante polêmico sobre o que deve ou não ser ensinado na escola: música e teatro, igualdade de gênero e sexualidade, programação e robótica, sustentabilidade… São apenas alguns que pertencem a uma longa lista. Segundo Vera, simplesmente acumular disciplinas não é uma solução. “Temos uma tendência a enquadrar tudo o que acontece na escola como ‘disciplina’. Essa é uma lógica que fragmenta o trabalho e o coloca em ‘caixinhas’. É uma forma cômoda de incorporar as coisas – não incorporando”.

“A cada novidade”, ela diz, “contrata-se um novo professor. O de robótica, o de programação… Enquanto isso, eu, professora de física ou de matemática, continuo dando minhas aulas como sempre dei e a robótica, a programação ou o teatro acabam colocados como disciplinas optativas. Isso não muda nada”. Para transformar efetivamente a atuação da escola, é necessário que a segmentação diminua, não que seja acentuada. A formação artística, que envolve música, teatro e dança, pode ser transversal ao ensino de história, línguas, sociologia. O mesmo vale para questões de gênero, diversidade e tolerância, temas que se refletem valores dentro e fora do ambiente escolar.

Tecnologia que faz sentido para a escola

Tecnologia na escola pode começar pela gestão.
Por apresentar resultados rapidamente, a gestão é ideal para inserir a tecnologia nos processos da escola.

As tecnologias são, hoje, recursos essenciais para garantir a educação de qualidade para todos – especialmente porque elas promovem a inclusão, a informação democrática e a personalização do trajeto de cada estudante. São características que rompem com o modelo educacional do século 20, baseado na padronização e na exclusãm daqueles que não se adequam.

Vera cita o acesso à informação, a variedade de formas e ritmos de aprendizagem, a possibilidade de troca de experiências e a avaliação rápida para orientar o ensino como alguns dos benefícios trazidos pela tecnologia digital. Porém, “os recursos tecnológicos precisam estar incorporados a propostas pedagógicas e metodológicas. Eles devem ser aptos a prover as melhores respostas para a implantação de projetos específicos da escola”. Por que essa intencionalidade é tão raramente atingida? Falta formação. A consultora enfatiza a importância de a escola investir em formar pessoas capazes de se comportar e tomar decisões no universo híbrido criado pela tecnologia – formação essa que envolve não apenas conhecimentos técnicos, mas até questões éticas que concernem, por exemplo, a superexposição na internet.

“Em períodos de crise, como os que vivemos, a oportunidade de otimização do processo de gestão da escola é essencial”.

A primeira área que deve abraçar a inovação é a da gestão escolar. Ao contrário da pedagógica, que oferece mais resistência e demora a apresentar resultados, gestores conseguem medir rapidamente se os objetivos foram alcançados e ajustar as tecnologias de acordo. “Em períodos de crise, como os que vivemos, a oportunidade de otimização do processo de gestão da escola é essencial”, ressalta Vera.

Para os próximos anos, Vera prevê um um caminho de consolidação de soluções já existentes, que deverão, cada vez mais, ser parte da rotina escolar. “Uma delas é o uso de avaliações em tempo real, servindo de subsídio para o trabalho do professor com os alunos. Outra é o uso da nuvem para criar condições de aprendizagem além da escola, facilitando o acesso a conteúdos, dados e informações”, enumera a consultora. Ela aposta ainda na intensificação da formação do professor na prática docente, especialmente em formatos online e contínuos, como uma tendência; afinal, como disse, “não há soluções mágicas”.

Geekie na Bett Brasil Educar 2016

A Geekie estará na Bett Brasil Educar 2016, maior evento de educação do Brasil. Em nosso estande, você conhece mais sobre as plataformas de aprendizagem personalizada da Geekie e as possibilidades de avaliações em tempo real. O evento acontece entre os dias 18 e 21 de maio, em São Paulo. Confira a programação.

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