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Como engajar professores no uso de tecnologia?

Três educadoras conversaram com a Geekie sobre como engajar professores e formar a equipe docente para o uso de tecnologia na sala de aula. O bate-papo aconteceu na semana passada (23), ao vivo, e participantes puderam mandar perguntas. Confira os pontos altos do evento!

A questão de como engajar professores para que usem tecnologia educacional de qualidade em sala de aula surge com frequência. De um lado, está a gestão que tenta inovar – muitas vezes, comprando os recursos técnicos necessários, mas sem investir igualmente na formação da equipe docente. Do outro, estão os professores inovadores por natureza, que buscam abordagens e metodologias diferenciadas para conquistar os alunos… Mas sentem-se isolados, sem o apoio da instituição ou dos colegas.

Na terça-feira passada (23), a Geekie convidou Adriana Karam Koleski, superintendente educacional do Grupo Opet (Curitiba/PR), Denise Braga, professora colaboradora da Unicamp (Campinas/SP), pesquisadora de tecnologias educacionais desde a década de 1980, e Paula Furtado, cofundadora da Mupi, plataforma de formação continuada para o uso de ferramentas digitais na educação, para um bate-papo ao vivo. Durante a conversa de pouco mais de uma hora, as três compartilharam expectativas, experiências e estratégias para engajar professores no uso de tecnologia na educação.

Formação de professores envolve mais que a parte técnica

“Já caí na armadilha de investir em tecnologia sem investir na formação dos professores”, admitiu Adriana. “Às vezes, pensamos que, se as ferramentas estiverem disponíveis, os professores automaticamente vão usá-las – mas isso não acontece. A gestão precisa oferecer a eles uma estrutura que apóie esse caminho de aprendizagem. Precisamos olhar para o professor como alguém que está aprendendo a fazer uma coisa nova, assim como olhamos para nossos alunos”.

Mas que tipo de formação seria essa? Para Paula Furtado, as necessidades vão além do passo a passo, dos conhecimentos puramente operacionais (como editar um vídeo ou como criar um podcast). Eles precisam de um ambiente seguro para dividir experiências, refletir sobre a prática e encontrar intencionalidade no uso de tecnologia. “Há uma lacuna nesse sentido. Na escola, ainda falta esse espaço em que o professor sente que pode se expor sem medo de ser repreendido ou inferiorizado”, ela comenta.

A formação com foco no uso de tecnologia implica em uma mudança de paradigmas. Consequentemente, há muita insegurança e incerteza envolvidas no processo – ao inovar, não há como prever os resultados. Portanto, deve ser claro para a escola que erros farão parte da aprendizagem, que a inserção da tecnologia com qualidade virá por meio da tentativa e erro.

Engajar professores
O professor pode até mesmo abrir o jogo para seus alunos: dizer que está aprendendo a usar uma nova tecnologia e, inclusive, pedir ajuda. Observar o comportamento social dos jovens no mundo virtual também dará pistas sobre o que os interessa mais e em quais ferramentas apostar.

Foi o que aconteceu com os professores do curso de Direito da Faculdade Opet, que possui desde Educação Básica até pós-graduação. Aqueles com perfil inovador foram convidados a integrar um projeto baseado em pesquisa-ação: ao longo do processo, conta Adriana, eles decidiram o que gostariam de mudar em suas salas de aula e definiram a metodologia ou abordagem a ser utilizada. Dentre o leque de opções, estavam gamificação, flipped classroom e aprendizagem baseada em projetos.

Ebook: Pequeno glossário de inovação educacional

Porém, esse foi apenas o começo da jornada. Em seguida, cada um dos 5 professores inovadores recebeu um coaching, uma mentoria individual e personalizada, e definiram quais seriam os resultados entregues. Para engajar professores, “nós os apoiamos durante todo o processo e isso fez toda a diferença”. Segundo Adriana, ser capaz de tomar decisões, escolhendo quais as mudanças mais valiosas para sua realidade, empodera o professor. Ele passa a se sentir protagonista na inovação.

Para engajar professores, leve em conta seu contexto

A ideia de que trazer o professor para dentro do projeto de mudança é essencial para uma transformação profunda na escola foi unanimidade entre as educadoras. Afinal, como argumenta Adriana, “o professor quer fazer a diferença, ele quer engajar seus alunos. Quando mexemos com o sentimento de propósito do professor, esse investimento na tecnologia passa a fazer sentido para ele, para a missão que ele escolheu, que é educar”.

Isso também significa adaptar as relações entre gestão e equipe docente. Denise Braga, que há mais de três décadas pesquisa e orienta projetos sobre tecnologia educacional, defende uma comunicação horizontal entre os agentes da escola para engajar professores. Ela afirma que a tecnologia verdadeiramente inovadora altera “um conjunto de questões estruturais que envolvem a escola como um todo. Gestores precisam falar de igual para igual com o professor, não como se estivessem descendo de um pedestal, mas reconhecendo que estão todos no mesmo processo de aprendizagem”.

Além de considerar o propósito e a comunicação, vale ter clareza quanto aos obstáculos. Denise alerta que a expectativa de replicar exatamente as teorias importadas para dentro da escola muito provavelmente resultará em frustração. A realidade é múltipla, adverte, e a rotina do professor está repleta de “poréns”, muito longe do cenário ideal. Não estar aberto a fazer adaptações pode acabar com gestão decepcionada, professores sufocados e alunos confusos.

Leia mais: Ensino Híbrido sem tecnologia é possível?

A tecnologia não precisa ser sufocante para o professor

A realidade do professor já é sufocante independentemente da tecnologia. Além do tempo em sala de aula, envolve o planejamento, reflexão, reorientação de estratégias, elaboração e correção de atividades. “A tecnologia vira mais uma demanda – ‘preciso usar o software que a escola comprou'”, resume Paula. Como escapar da sensação de sobrecarga e engajar professores?

“O primeiro passo é pessoal. O professor começa a entender que a tecnologia é parte de suas tarefas diárias e que seu grau de participação social está relacionado a como lida com as tecnologias”. Entretanto, Paula entende que isso não significa conhecer todas as ferramentas à disposição. Existem aplicativos que fazem sentido para os alunos, como forma de entretenimento ou comunicação, que não necessariamente serão eficientes em sala de aula – e o professor não precisa aprender a mexer em cada um deles. Ele pode, por outro lado, buscar compreender como esses recursos funcionam no nível social: como são feitas as interações entre alunos, como eles se relacionam, por quais experiências passam. É a mentalidade por trás da ferramenta que pode trazer inspirações para a sala de aula.

Denise concorda: “O que a gente precisa para sobreviver em um mundo repleto de informação é filtro. Não somos capazes de aprender tudo”. Ela sugere que professores se reúnam em grupos de interesse, seja de acordo com a disciplina que ensinam ou as abordagens que gostariam de colocar em prática, e caminhem juntos a partir desse ponto comum.

Leia mais: O que o professor quer em cada etapa de sua carreira?

Saiba mais sobre como engajar professores assistindo ao bate-papo na íntegra: A formação de professores para o uso de tecnologia:

6 Comments

  1. 20 de setembro de 2016 at 22:24 — Responder

    Excelente bate-papo.. Sou Pedagoga com Pós graduação em Tecnologia Educacional.. Ocorre que não milito nessa área,, As escolas em que trabalho ainda não estão voltadas para a tecnologia , ou usa o que pode, como pode, sem estrutura para essa utilização..Vejo que é necessário, urgente que as escolas utilizem os meios tecnológicos para tornar os conteúdos mais agradáveis aos olhos dos alunos. Lamentavelmente ainda há um embate de muitos professores principalmente com o celular que tem se apresentado como vilão.. Tenho tentado utilizar essa ferramenta que está nas mãos de todos buscando aproximar o instrumento aos objetivos escolares…Precisamos muito discutir e aprender a usar a tecnologia. Como foi dito por vocês já não cabe mais ainda a discussão vazia ,mas a prática..

  2. 16 de dezembro de 2016 at 13:34 — Responder

    Genial post. Gracias por publicarlo…Espero màs…

    Saludos

    • 21 de março de 2017 at 23:57 — Responder

      This is a very good point. There are many operations that you can move from the CPU to the GPU or visa versa. Additionally, having a vertex shader means you can insert all kinds of tronsformatians into the basic pipeline I described above. For example, you can do on the GPU.

  3. 2 de janeiro de 2017 at 11:55 — Responder

    ¿Que mas nos puedes explicar?, ha sido fantastico encontrar mas explicaciones sobre este tema.

    Saludos

    • 22 de março de 2017 at 00:36 — Responder

      Kasze bulgur mam, gorzej z "granatem". A zastanawiaÅ‚em siÄ™ kilka dni temu kiedy dostaÅ‚em jÄ… od znajomej z Anglii – co z tym zrobić…I ta duża ilość pietruszki to coÅ› dla mnie.Chyba maÅ‚o jest daÅ„ gdzie pietruszka gra tak istotnÄ… rolÄ™ jak &qwua;to".pozdrauitm

  4. 22 de março de 2017 at 00:01 — Responder

    Its almost like they’re reading my mind. :-) I’ve been asking this question in my mind for so long. Why won’t they let me change the ro.u>et.. Thanks for tuning in Google.

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