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Empreendedorismo Educacional: só escolarizar não é o suficiente

Em sua primeira coluna no InfoGeekie, o especialista em Empreendedorismo Educacional Thiago Chaer repensa o modelo da escola tradicional e aposta no desenvolvimento de habilidades como forma de preparar jovens para o futuro.

Por que falar de empreendedorismo educacional? As projeções para a educação em todo mundo são animadoras, embora com impactos inquietantes. Segundo o site Our World in Data, com base nos dados produzidos pelo Instituto Internacional de Análise de Sistemas Avançados (IIASA), até 2050 o Brasil terá apenas 2% das pessoas sem nenhuma educação e um grande aumento na quantidade de pessoas com diplomas.

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Essa população, mais escolarizada, terá uma formação muito diferente da atual? E como as instituições estão se preparando para atendê-la? É hora de falar de empreendedorismo educacional.

Por 12 anos, empreendi uma carreira no setor de tecnologia digital e internet. Em minha trajetória, trabalhei com pessoas criativas e inovadoras. Entretanto, a minha experiência acadêmica em Administração, Marketing e Tecnologia não me oferecia nenhuma perspectiva de inovação e de quebra de paradigmas. De empregado no início da carreira a empreendedor e palestrante, pude constatar que as habilidades e competências para inovar estão mais relacionadas ao protagonismo e à autonomia sobre o processo da própria educação do que a um sistema de ensino. Compreender a diferença entre educação e ensino tem tanto poder que pode transformar a vida dos jovens.

Uma sociedade mais escolarizada não necessariamente será mais educada e preparada para lidar com o futuro. Os índices brasileiros de educação estão entre os piores do mundo e isso está relacionado com o nosso entendimento sobre educação – e também como entregamos, em escala, essa educação para o maior número de pessoas. O futuro dependerá de como resolver a equação:

escala + educação = inovação, empreendedorismo e protagonismo

A minha compreensão é que a educação consolida a singularidade, os valores humanos, a criatividade, o protagonismo, a autoestima, a resiliência e a autonomia. A sua base reside no significado, no entendimento e na sabedoria (na experiência, no porquê de fazer), na polidez do ser humano e na capacidade de transformação individual e coletiva – potencializados pelo empreendedorismo educacional. O ensino, por sua vez está mais relacionado com capacidade de codificar dados e transmitir informação com foco na obtenção de um resultado previsível e predeterminado.

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Peter Senge, renomado professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e autor do livro “A Quinta Disciplina”, diz que a resolução de problemas tornou-se tão complexa que ninguém consegue fazê-la sozinho. Ninguém tem acesso a todos os dados. Nenhuma pessoa pode considerar tantas alternativas. Davenport e Prusak, autores de uma teorias de gestão do conhecimento, dizem que o conhecimento pode ser comparado a um sistema vivo, que cresce e se modifica à medida que interage com o meio ambiente.  

Se, no futuro, teremos uma sociedade mais escolarizada, também esperamos que ela seja mais educada, e nesse contexto, que o conhecimento esteja em permanente validação e as tecnologias possam contribuir para disseminar a educação.

Não é à toa que algumas escolas, mesmo que ainda poucas delas, estão experimentando novas formas de pedagogia e de tecnologia. O empreendedorismo educacional é essencial para uma sociedade em veloz e constante transformação, onde novas formas de trabalho e relações de poder apontam para uma mudança de época. Mudança que exige que jovens e adultos estabeleçam um ritmo de aprendizagem contínuo ao longo da vida e desenvolvam competências e habilidades para empreender em todos os aspectos da vida.

Finalmente, não teremos um lugar onde chegar com a educação, mas sim um trabalho a ser feito para concretizar objetivos em comum através da educação!

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* Thiago Chaer é Especialista em Gestão e Empreendedorismo educacional. Com 15 anos de experiência em tecnologia e inovação, Thiago foi palestrante na Bett Brasil Educar 2016, maior evento de educação da América Latina. Por 3 vezes foi fundador de startups, premiado com o 1º lugar no Desafio Brasil Inovação na Educação, em 2014, enquanto CEO da EngagED. É mentor e atualmente dedica-se a promover o empreendedorismo educacional através da Future Education. Como palestrante, seu tema principal é o Empreendedorismo Educacional, sua importância como um meio para a transformação da educação, para o desenvolvimento de talentos e de carreira no setor e como motivação para uma carreira na área educacional.