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Educação para equidade ou educação inovadora?

A tecnologia pode aumentar a desigualdade educacional – ou ser uma aliada na promoção da equidade. Claudia Costin, Diretora Geral do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV-RJ e ex-Secretária Municipal de Educação no Rio de Janeiro, fala ao InfoGeekie sobre a Educação para a equidade e sua palestra no 15º GEduc, maior conferência de gestão educacional no Brasil.

Quando ouve falar de inovação educacional, Claudia costuma ficar alerta. Não que seja contra discursos sobre Ensino Híbrido e personalização, ambos visando tornar o processo de aprendizagem menos massificado; entretanto, sua carreira na esfera pública faz com que considere algo que, para muitos, passa despercebido: essa tecnologia é acessível a maioria das crianças e adolescentes do país? Ou seja: ela favorece ou impede a equidade?

Se a resposta for não, é provável que a tal inovação esteja contribuindo para aumentar o gap educacional – a distância entre alunos que frequentam escolas de qualidade, geralmente privadas, e aqueles matriculados em escolas de menos recursos, geralmente públicas. “Se nos esquecemos de que a maioria dos estudantes estão em ambientes que não permitem a inovação, acabamos perdendo a garantia de equidade”, explica Claudia, que atualmente é professora visitante na Faculdade de Educação de Harvard.

Os dois caminhos, porém, não são excludentes. Claudia afirma que a inovação educacional pode agir também como forma de garantir a equidade. É esse o caso quando tecnologia digital é utilizada para superar etapas estagnadas na aprendizagem, permitindo que cada aluno se desenvolva no próprio ritmo.

Durante o tempo em que ficou a frente da Secretaria Municipal de Educação no Rio de Janeiro, Claudia teve a oportunidade de transformar essa teoria em experiência: foi em sua gestão que foram implementados os Ginásios Experimentais Cariocas, escolas públicas onde o desempenho dos estudantes chegou a melhorar até 154%. Dois anos após o início do projeto, 12 Ginásios figuravam entre as 20 top escolas públicas do país, segundo o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) 2013.

Leia mais: O que as escolas públicas cariocas fizeram para dominar o ranking nacional

Educação para equidade pede mais que tecnologia – formação de professores é essencial

De acordo com Claudia, utilizar tecnologia com intencionalidade pedagógica, para que cada criança ou adolescente alcance seu potencial de aprendizagem, passa por uma forte formação de professores. O modelo de palestras, em que ele é a única figura em frente a sala com direito à fala, não funciona mais. Em vez disso, ela prefere ver o educador como um “assegurador da aprendizagem”. “Chamo de ‘assegurador’, e não ‘facilitador’, porque entendo que um facilitador não tem compromisso com a evolução dos alunos”, conta. “O assegurador precisa se despir do papel de palestrante e ajudar o jovem a pensar. Não existe máquina no mundo que faça isso”.

Nos Ginásios Experimentais Cariocas, por exemplo, além de mapear habilidades e dificuldades relacionadas aos conteúdos – inclusive, com apoio da Geekie – os alunos foram vistos como portadores de um projeto de vida. Foi a partir desses projetos, contemplando seus interesses e objetivos pessoais, que eles interagiam com professores, colegas e a sala de aula.

Porém, para replicar o modelo de sucesso em larga escala, seria preciso encontrar tecnologias mais baratas e que se moldassem à realidade de escolas com pouca infraestrutura; Claudia cita como exemplo escolas em países africanos, em que observou tecnologias menos dependentes da conexão com a internet, onde ela era instável, ou propostas em que os alunos construíam as próprias ferramentas e objetos de estudo como parte da aprendizagem.

Leia mais: Infográfico explica a aprendizagem maker

“Ainda que não seja possível transformar todo o sistema educacional de uma vez, mudanças parciais são possíveis e dependem muito de uma mudança de cultura do educador. O professor pode personalizar, até certo ponto, sem tecnologia: olhar para aquele jovem e entender quais recursos funcionam para ele, buscar recursos alternativos que o ajudem a aprender a partir de suas demandas individuais”, garante Claudia.

Claudia Costin na 15ª edição do GEduc, congresso de Gestão Educacional

No dia 29 de março, Claudia Costin será keynote speaker no GEduc, congresso de Gestão Educacional que comemora sua 15ª edição sob o tema Transformando a Gestão: inspiração para mudanças, insights para soluções. Claudia fala sobre As forças que estão mudando o futuro da Educação.

Em sua palestra, Claudia pretende levar para gestores escolares a possibilidade de unir inovação e equidade na Educação, colocando que são eles os “maestros de uma grande orquestra”. “Quando olho para as escolas do Rio de Janeiro que conseguiram inovar e garantir a equidade, fica claro que quem garante essa mudança estrutural na escola é o gestor. Ele é encarregado de assegurar a aprendizagem para todos”.

Participe do evento:

O que: GEduc 15 anos

Quando: 29, 30 e 31 de março de 2017

Onde: Salão Nobre do Centro de Convenções do Hotel Maksoud Plaza, São Paulo

Leia mais sobre o evento ou inscreva-se clicando aqui!

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