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Conectivismo: pessoas conectadas aprendem melhor

* Por Thiago Chaer

Para falar de educação, tecnologia e inovação precisamos ampliar o nosso olhar e construir um raciocínio que considere essas três áreas sistematicamente conectadas. Isso significa que uma depende da outra em iterações que levam ao aperfeiçoamento contínuo de cada uma ao seu tempo.

Quando observamos a ineficiência do sistema educacional brasileiro, que começa a dar sinais de recuperação, percebemos pistas de que o planejamento contínuo, de longo prazo, nunca teve espaço no plano nacional de educação ou nos modelos de gestão das instituições privadas. Portanto, o incentivo ao desenvolvimento da inovação aplicada à educação só encontrará sentido se fizer parte de uma visão sistêmica, que considere seus impactos nas pessoas, na sociedade, na aprendizagem, na autoavaliação e no desempenho da instituição.

George Siemens, um educador e pesquisador canadense, nos dá uma perspectiva sobre o potencial da tecnologia na construção de redes de conhecimento que ampliem o conceito de aprendizagem, uma teoria que ele chama de conectivismo.

O conectivismo e a construção do conhecimento

O conectivismo lida com a aprendizagem em vários níveis: biológico, neural, conceitual e social. A aprendizagem também ocorre pela interação em rede, com a criação de novas conexões e a capacidade de manobrar através dos padrões existentes. O nosso conhecimento reside nas conexões que criamos, seja com outras pessoas, seja com fontes de informação, como bases de dados.

Além disso, essa teoria se concentra na inclusão da tecnologia para distribuir conhecimento. Ela considera que o aprendizado deve ser constante, atualizado, relevante e contextualizado. A relação entre o ambiente virtual e o físico, entre a aprendizagem formal e informal, também são contempladas pelo conectivismo, e devem ser permanentes ao longo da vida.

Podemos observar que esses conceitos vão de encontro ao que se espera de uma nova educação, que tem o aluno como protagonista da sua aprendizagem e a escola como facilitadora do processo de construção do conhecimento. Essa visão transforma não só o aluno, mas a escola, a família e a sociedade. Isso porque, de acordo com o conectivismo, a tecnologia é somente um meio para a transformação e a intenção de aprendizagem. Não há barreiras, elas são substituídas pela possibilidade de conexão.

Essa capacidade de criar conexões deve ser entendida pelas escolas como um fator crucial para a construção do conhecimento. E não só conectar processos para entender melhor o que funciona e o que não funciona, mas principalmente conectar pessoas para aprenderem mais e melhor. Através da tecnologia, a escola passa a ter um papel muito mais permanente do que transitório na vida das pessoas.

A sala de aula criativa e conectada

Para entender um pouco mais sobre a integração entre educação, tecnologia e inovação, o diagrama abaixo (parte do Horizon Report sobre Educação Superior em 2014) traz os elementos chave da sala de aula criativa que contribuem para o desenvolvimento da inovação pedagógica:

Sala de aula criativa
As possibilidades da sala de aula criativa e conectada organizadas em oito eixos principais.

Fica claro que a educação, a tecnologia e a inovação caminham de mãos dadas e, se separadas, criariam uma miopia na avaliação dos resultados. Os elementos chaves – práticas de ensino, práticas de aprendizagem, avaliação, conteúdo e currículo, infraestrutura, conexões, liderança, valores e organizacional – só se sustentam se houver protagonismo do aluno e a competência de professores e gestores, pois tudo está interconectado e é interdependente.

Se quiser descobrir quais são as tendências em inovação nos próximos 5 anos, consulte os relatórios do Horizon Report; eles podem auxiliá-lo na hora de avaliar investimentos em inovação educacional. Também deixo o convite para minha palestra, A Gestão do Conhecimento Aplicada à Educação, que acontece na Bett Brasil Educar 2016, em São Paulo.

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