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Como as instituições de ensino podem (e devem) incentivar a ciência, tecnologia e inovação

O que escolas podem fazer para incentivar ciência, tecnologia e inovação na sala de aula? Confira essa discussão no artigo de Thiago Chaer.

A partir da crise de 2008, diversos países desenvolvidos, como Estados Unidos, Japão, China investiram muito nas áreas de ciência, tecnologia e inovação – em média 2,5% do PIB. Isto por entenderem naquele momento que eram áreas estratégicas para o desenvolvimento socioeconômico. Ao invés de reduzir, aceleraram seus programas – e isso tem a ver com educação.

Desde 2015, o Brasil vai no sentido oposto, reduzindo os investimentos nestas áreas. Em julho deste ano o Ministério do Planejamento anunciou que para 2018 prevê um corte de 40% no orçamento de ciência e tecnologia em relação a 2017.

E tem a ver com educação, pois é desde cedo que incentivamos a curiosidade pela ciência e pela tecnologia. Sempre houveram ferramentas e metodologias para estimular a curiosidade pela ciência e pela tecnologia.

Nos anos 90, existia um brinquedo chamado o Alquimista, em que era possível simular experiências em laboratório, sem risco à criança. Além disso, algumas escolas já eram equipadas com laboratórios de ciência e atividades makers (a famosa aula com sucata). No início dos anos 2000, foi a vez dos laboratórios de informática. Guardada as devidas proporções e diferenças entre escolas públicas e privadas, ciência e tecnologia sempre estiveram presentes na escola.

A maior lacuna do sistema educacional brasileiro não está no acesso à ciência ou à tecnologia, mas no modelo mental para explorar o potencial destas áreas do conhecimento. É notável os jovens que se destacam pelo seu interesse pela ciência desde cedo, alguns que nunca tiveram em sua formação acesso a tais instrumentos. Neles, existia apenas a curiosidade, o interesse e vontade de fazer ciência e tecnologia.

Este é um lembrete para explorarmos cada vez mais a formação dos professores que são os principais estimuladores de um novo modelo mental. Hoje em dia é mais fácil estimular por conta do amplo e fácil acesso ao conteúdo (Youtube, Google, Facebook, MOOCs, etc.).

Os professores do século XXI devem ser os provocadores, estimuladores da ressignificação do conhecimento. A escola deve ser um verdadeiro centro de ciência, tecnologia, inovação e humanidades. Está na hora do Brasil reagir e começar a ser protagonista da sua própria mudança política, econômica e educacional – e isso tem a ver com educação.  

Thiago Chaer possui mais de 15 anos de experiência em inovação e tecnologia digital, atua como Palestrante, Mentor de startups de EdTech. É membro da ABStartups e da Comissão Especial de Educação Digital na OAB (2016-2019), sendo coautor do Compromisso de Privacidade de Dados Educacionais. Sócio-fundador e CEO da Future Education, pré-aceleradora de startups de Edtechs (www.futureeducation.com.br).

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