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Descubra o que foi assunto do 3º dia da Bett Educar 2018

Estivemos na Bett Brasil Educar nos dias 9 e 10 de maio para conferir o que foi assunto neste evento de educação e tecnologia. Com espaço destinado para garantir o encontro de educadores e gestores com empresas, startups e palestrantes, os participantes puderam visitar os stands dos expositores e participar de workshops e do Congresso, que abordou as atualidades do setor educacional.

Veja abaixo os destaques do dia 10 de maio, terceiro dia do Congresso Bett Educar:

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Desafios Práticos da Gestão do Uso das Tecnologias na Educação

carlos seabra
Palestra ministrada por Carlos Seabra – Foto: Béatrice Zozzoli

A primeira palestra que assistimos abordou os desafios da gestão do uso de tecnologias na Educação, ministrada por Carlos Seabra, diretor da Oficina Digital. Seabra iniciou seu discurso nos falando sobre quais são os grandes desafios atuais da educação usando ou não a tecnologia. Esses desafios continuam a ser:

  • aprender a aprender;
  • estimular a motivação, a curiosidade e a organização;
  • pensar e fazer;
  • instaurar uma aprendizagem colaborativa;
  • Instituir um empreendedorismo cognitivo.

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Para o palestrante, é preciso entender que os problemas não terminam com a instalação de novos equipamentos para a infraestrutura da escola, que deve ser um composto de: equipamento, estrutura, software, suporte, manutenção e gestão. É preciso pensar em uma infraestrutura que atenda os seguintes locais:

  • Laboratório;
  • Sala de aula;
  • Auditório;
  • Biblioteca;
  • Sala dos professores;
  • Pátio e corredores;
  • Casa do aluno

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Carlos explica também que as escolas podem adotar diferentes plataformas de software e hardware, conforme for a demanda. Por exemplo, é possível adotar computadores com sistemas operacionais diferentes, como Windows, Linux e Macintosh, assim como Chromebooks e Dualbooks, que já vem sendo bastante utilizados por várias escolas. Da mesma forma, para os dispositivos móveis, que podem ser tablets e celulares (iOS e Android) ou e-Readers (Kindles ou Kobos).

O próximo passo é pensar em uma conectividade eficiente. Normalmente, ela exige uma gestão melhor do que a que é feita hoje em dia pelas escolas. É preciso possuir ao menos duas conexões ativas, já que a segunda pode servir de reserva, caso haja algum problema de conexão. Além disso, instalar um servidor para armazenar conteúdos offline e cache pode ajudar a carregar o conteúdo de forma mais rápida, já que o mesmo já está armazenado, como também pode otimizar o tempo da banda larga e diminuir seu consumo.

Segundo Seabra, é preciso também levar em conta a gestão do uso do Wi-fi, que deve ser segmentada e ter uma gestão de acesso, ou seja, reservar boa parte dessa conexão para a administração e para os docentes. Deve-se usar a nuvem também para evitar a perda de dados, caso haja alguma queda no servidor, da mesma forma que ferramentas de segurança, para preservar dados críticos e sensíveis dos alunos.

O uso de filtros para conteúdos seguros deve ser levado em conta também para evitar o consumo de conteúdos inadequados por parte dos alunos, levando a um uso sensato da banda larga. Para uma auditoria de acessos de uso inadequado da internet, é possível usar os logs e entender qual IP acessou qual conteúdo, em qual data e horário.

Por último, a escola deve sempre estar atenta e realizar backups e atualizações de forma contínua para não perder dados. Os dispositivos devem sempre contar com:

  • Storage (dispositivos de armazenamento, tipo HD)
  • Mobile Device Management – MDM (instalar softwares nos alunos)
  • Firewall (barrar conteúdo)
  • Proxy (filtragem de conteúdo)
  • Switch (segmentação da rede)
  • Site survey (inspeção – pesquisa e monitoramento)

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Saiba o que rolou no segundo dia da Bett Brasil Educar 2018

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A gestão do uso de tecnologias na Educação Básica

Valdenice - Colégio Dante
Palestra ministrada por Valdenice Minatel – Foto: Béatrice Zozzoli

Assistimos a palestra ministrada por Valdenice Minatel, Coordenadora Geral de Tecnologia do Colégio Dante Alighieri. Valdenice comentou sua experiência no colégio e enfatizou que de nada adianta usar a tecnologia se a escola não faz uma gestão ambiental com um descarte seguro do lixo ambiental.

Valdenice também falou sobre o uso das 4 Competências do Século XXI, necessárias na formação para o desenvolvimento integral, como uma proposta pedagógica. São elas:

  • Colaboração
  • Criatividade e inovação
  • Pensamento crítico
  • Comunicação

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A palestrante comentou também que usou da tecnologia para realizar uma inscrição de matérias eletivas para 2018, com base na BNCC. Foi criada uma interface para que os alunos e responsáveis selecionassem 4 opções de disciplinas, por bloco de horário. O enturmamento se baseou na ordem de prioridade de cada aluno, assim como pelo fechamento de turmas, sorteio, desempenho e indicações. De 74 eletivas lançadas, 48 tiveram turmas formadas, em um processo auditável.

“A tecnologia só tem sentido se puder ajudar os alunos a mudar o mundo.” – Valdenice Minatel

Para o processo de TI, o  Colégio Dante modernizou algumas estruturas, como é o caso da loja virtual de uniformes, da utilização de um contrato de matrículas e rematrículas com assinatura digital e da geração de big data em nuvem nas catracas, para checagem do fluxo de entrada e saída da escola, melhor associação de crachás, controle automatizado e registro de foto e autorização dos visitantes. Além dessas ações, foi instaurado um sistema para ambulatório escolar, no qual todos os dados armazenados alimentam a equipe pedagógico a fim de ajudá-los a entender o aluno de forma mais ampla.

Minatel contou também que utiliza um sistema parrudo de SI e que cada escolha tecnológica é feita em equipe, por meio de avaliações coletivas e pesquisa de mercado. Além disto, os alunos são convidados a testar cada melhoria, já que segundo ela, são os melhores consultores, pelo fato de serem bastante críticos.

Com relação ao uso de dispositivos, a coordenadora explicou que o colégio usa vários sistemas de acordo com cada fase do ensino. Do maternal II ao 1º ano, as salas de aulas contam com iPads; já no Fundamental I (a partir do 2º ano), a escola criou um carrinho móvel com 18 iPads, que vai de sala em sala, de acordo com as atividades; no Fundamental II, o carrinho móvel com 18 iPads é utilizado para as aulas de língua portuguesa; e por fim, no ensino médio, o sistema 1 para 1, o qual o aluno recebe 1 iPad para usar em todo o período. No final do último ano, ele tem a opção de comprar esse dispositivo.

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BNCC: a hora da inovação no Ensino Médio

Artur - SAS
Palestra ministrada por Artur Costa Filho – Foto: Béatrice Zozzoli

Conferimos também a palestra ministrada por Artur Costa Filho, Diretor Pedagógico do SAS, que abordou a BNCC e a Reforma do ensino médio como chaves para um novo ensino médio.

De acordo com Artur, existe uma necessidade da implantação de um novo ensino médio, já que atualmente as escolas apenas repetem o modelo que usam todos os anos e o aluno já não aguenta apenas ouvir o professor. Esse fato é, segundo ele, ilustrado na nota do IDEB do ensino médio, que vem caindo e está abaixo da média.

Artur justifica a urgência de um novo ensino com base nos dados seguintes:  

  • O desempenho de português e matemática é menor hoje do que 1997;
  • 1,7 milhões de jovens de 15 a 24 anos não estudam e não trabalham;
  • 82% dos jovens de 15 a 24 anos estão fora do ensino superior;
  • O ensino médio virou preparação para o ENEM

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Ele defende que, hoje, as escolas usam conteúdos que não tem mais sentido em uma quantidade muito grande, mas com pouca profundidade sem tempo hábil para avaliar e retomar conteúdos. Além desse fato, Artur explica que as grandes transformações na educação e a aplicação da Base em países como a Austrália, Finlândia, França, Inglaterra também não foram efetivadas a partir de um consenso.

“Um bom gestor não é quem tem as respostas, mas aquele que sabe fazer as melhores perguntas.” – Artur Costa Filho

A Reforma do ensino médio seria fruto, então, de um amplo debate acumulado no Brasil durante as últimas décadas e já era uma das metas do Plano Nacional de Educação de 2014, a fim de reduzir a evasão, que é muito significativa nessa fase do ensino. Ademais, tem como direcionamento o protagonismo do jovem, com aulas baseadas na gamificação e na resolução de problemas, para gerar maior engajamento.

Para Artur, é preciso promover a igualdade através da equidade, ou seja, considerar e sanar as diferenças entre os alunos para que todos tenham a mesma oportunidade. E formar um ensino médio mais atraente e articulado, com conteúdos que podem ser aplicados ao longo da vida do estudante é o objetivo da reforma. Como hoje existe uma grande dificuldade para conseguir emprego, é preciso estimular o conhecimento cognitivo e o desenvolvimento das habilidades socioemocionais desses alunos para resolver esse problema.

Hoje em dia, o vestibular pauta o currículo escolar, explica Costa Filho. A ideia é que com a adoção da base, a situação se inverta e o currículo paute a prova. A reforma prevê a ampliação progressiva da carga horária escolar, que passará de 800 horas para 1.400 horas, em um prazo de até 5 anos para que seja adotada uma carga horária mínima de 1000 horas. A maioria das escolas privadas já estão adaptadas e já começam a adotar um currículo mais flexível, com itinerários informativos e trilhas.

Foi mencionado também que como nossos professores não foram formados para esse modelo, os cursos de licenciatura das universidades também devem passar por uma adaptação de até 2 anos, com o objetivo de formar os próximos professores conforme as necessidades que temos.

Um dos propósitos da Base é que o currículo escolar seja composto por atividades inter e multidisciplinares, ou seja, que sejam trabalhadas várias áreas diferentes em um mesmo conteúdo. Para isso, Artur elucida que é preciso sair do micro para o macro, o que quer dizer que para desenvolver as competências da área nos estudantes, é preciso desenvolver as habilidades antes. A proposta é que competências sejam trabalhadas em 60% do tempo e as habilidades, em 40%.

Artur Costa Filho concluiu sua palestra mencionando que a matriz de referência do ENEM está esperando a Base do ensino médio ser aprovada para usar então o recorte do currículo e visar atingir as competências da Base.

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Confira também o que foi falado nas edições anteriores da Bett Educar Brasil:

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