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Avaliações que não avaliam: aprovação não é sinônimo de aprendizagem

O que está por trás de uma avaliação em sala de aula? Ruan Carlos Nascimento discute como as tradicionais formas de avaliações podem vir a ser um obstáculo para o aprendizado do aluno. Leia:

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E mais uma vez, a cena se reconstrói. O professor vai até a sala e informa aos seus alunos: “em breve teremos nossa avaliação. Estudem para conseguir passar de ano e para não serem reprovados”. A partir desse comentário, que é tão recorrente, surge uma reflexão: qual seria a verdadeira função de uma avaliação? Seria um meio de aprovação, reprovação ou de medição do aprendizado?

Pois bem, se pensarmos na avaliação somente como um meio de aprovação, encontramos uma justificativa para o grotesco número de analfabetos funcionais existentes. As pessoas que acreditam nesse método são medianas, pensam apenas na nota e não se importam com a aplicação de conhecimento no dia a dia. Geralmente, se tornam executores de ações mandadas por outras pessoas. Para esses indivíduos, o comodismo reina, uma vez que eles têm como único objetivo atingir a média e é isso que farão para o restante da vida.

Da mesma forma, se formos considerar a avaliação como um meio de reprovação, encontraremos outro problema. Se analisarmos a construção da palavra “reprovar”, entendemos que a pessoa que está passando por esse processo está provando algo novamente. Mas se alguma coisa já foi provada, qual o objetivo de prová-la novamente? É intrigante observar que o sistema atual incita o aluno a gravar o conteúdo para usá-lo em uma prova que não mede seu conhecimento. E ainda, caso ele não obtenha o conceito mínimo atribuído da “nota”, ele irá fazer uma nova prova. E, se ainda assim ele não conseguir, ele repetirá todo esse processo.

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métodos de avaliação

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“Se a boa Escola é a que reprova, o bom hospital é o que mata!”

É lamentável ouvir alguém dizer que uma boa escola tem baixos índices de aprovação por causa do seu método de ensino intensivo, do seu grau de exigência para com o aluno, e que os alunos que saem de lá aprovados, estão aptos ao mundo. Parafraseando o professor Werneck, vamos imaginar que um bom hospital seria um hospital que seguisse essa mesma linha do tempo de uma escola que reprova. Como a diferença entre o tempo de recuperação de cada doença seria desprezada, ele seria um hospital que mata seus pacientes.

Se julgarmos a avaliação como uma medição do aprendizado, por mais que essa visão seja mais ampla que as anteriores no ponto de vista educacional, ela não tem muito efeito se essa mensuração for feita de maneira isolada. As avaliações devem cumprir com a premissa da sua significância, que é avaliar, medir, quantificar. E com base nisso, devem alimentar um conjunto de informações que, quando analisadas, possam verificar a aprendizagem.

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A avaliação versus a aprendizagem

O diagnóstico final sobre a efetividade do aprendizado  deve, portanto, considerar como relevante as ações de estudos e as ações de intensificação de busca de conhecimentos por parte do estudante.  Ainda, deve também ter como base análises de como o conteúdo está sendo compartilhado entre os docentes e os discentes.

Se tomarmos como ponto de partida uma suposição de que um aluno que teve atribuída a nota de 5.8 em uma avaliação final de português em uma escola na qual a média necessária para a aprovação é 6.0, rigidamente o aluno ganha o status de reprovado e não está apto a seguir para a série seguinte. Mas se pararmos para analisar, esses 2 décimos que faltaram para o aluno dependiam de qual falha? Uma vírgula? Um acento? Ou verbo mal conjugado? Será que realmente um ano deveria ser analisado a partir de conceitos tão vagos?

Como educador, vejo que se faz necessário que se entenda melhor a avaliação e, principalmente, que se conheça de fato quais são seus objetivos reais e as ponderações existentes nas análises obtidas com o resultado do processo. É preciso também que o professor pense em formas de melhorar ou de reformular seus métodos de abordagem dos assuntos didáticos.

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* Ruan Carlos Nascimento é formado em Engenharia Mecatrônica pela Unit e Eletromecânica pela IFS. Atualmente, é educador do SENAI Sergipe no Centro de Educação e Tecnologia Coelho e Campos. Desenvolve estratégias de ensino para a comunidade PNE e busca interação entre a teoria e o sentido de sua aplicação. Gosta de tecnologias educacionais e metodologias ativas de foco na aprendizagem.

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