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Aprendizagem organizacional: escolas que aprendem

Para sua escola inovar na aprendizagem pedagógica, primeiro é essencial inovar internamente, por meio da aprendizagem organizacional. Confira como sua escola deve aprender e não somente ensinar!

Para começar 2018, nada melhor do que falar de aprendizagem, não é mesmo? Mas não da aprendizagem pedagógica e sim da aprendizagem organizacional. Você pode perguntar: qual a relação entre aprendizagem organizacional e aprendizagem educacional?

Propositalmente, o título deste artigo é o mesmo do livro “Escolas que Aprendem” do renomado professor de Stanford e MIT, Prof. Peter Senge, que apresenta uma série de exemplos de casos de escolas inovadoras ao redor do mundo. No livro, Senge relata e detalha passo a passo iniciativas que deram certo e indica metodologias e ferramentas que professores e gestores podem adotar para transformarem as suas escolas. O que chama atenção no conteúdo é que boa parte dele fala da mudança de cultura necessária para se implantar a inovação na aprendizagem.

Se você teve a oportunidade de conhecer alguma das 178 escolas inovadoras reconhecidas pelo MEC, sabe que o processo de mudança da lógica do ensino para a lógica da aprendizagem é longo. Começa na revisão dos processos de gestão da escola e de seus objetivos para então iniciar uma transformação da sua cultura e posteriormente do currículo/aprendizagem. Tanto na educação básica quanto na educação superior, sem exceção, as instituições que inovaram tiveram que aprender a nível organizacional para desenvolver um trabalho realmente inovador. Vale lembrar que a mudança na escola é sistêmica: por menor que seja, o impacto é sentido por gestores, colaboradores, professores, pais e alunos.

Khan Academy, Google, Facebook, Amazon, Apple são exemplos de organizações “aprendentes”, que usam metodologias ágeis e modernas de gestão para impulsionar sua cultura de inovação.

Se olharmos as 10 competências gerais da BNCC, concluiremos que, para haver coerência entre a proposta pedagógica alinhada a BNCC e o valor percebido por pais e alunos, as escolas precisarão mudar radicalmente a sua cultura de ensino para uma cultura de aprendizagem.

Nas escolas que aprendem, a gestão pode (e talvez deva) ser descentralizada, oferecendo à equipe administrativa e de professores autonomia para tomadas de decisão. Essa cultura descentralizada repercute no modelo de aprendizagem centrado no aluno, onde a autonomia da aprendizagem é incentivada e por isso há coerência entre os modelos.

A capacidade reflexiva também é uma característica destas escolas. Mais do que tomar rápidas decisões, é preciso refletir sobre a ação pedagógica. É preciso muita cautela ao considerar que determinada abordagem pedagógica está “funcionando”: funcionando para quem, em que contexto e baseado em quais evidências?

Escolas que aprendem deixam claro suas metas e dados de aprendizagem, encorajam e apoiam novas ideias, oferecem um espaço seguro para a experimentação, mantém diálogos construtivos e permanentes com professores, pais, alunos e comunidade, usam o poder da rede para expandir o seu capital intelectual e incentivam o compartilhamento do conhecimento para além do âmbito escolar.

Para que a escola seja um lugar onde o aluno encontre alegria em aprender, ela precisa adotar essa premissa também para os seus professores e gestores.

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* Thiago Chaer possui mais de 15 anos de experiência em inovação e tecnologia digital. É sócio-fundador e CEO da Future Education, aceleradora de startups de educação. Atua como palestrante e mentor de startups de EdTech. Já trabalhou com grandes instituições, entre elas o Parque Tecnológico de Itaipu, FIEP, Sesi/PB, Senac/SP, Sinepe/ES, Universidade Positivo, Prefeitura de Itanhaém, Sicredi e Sinepe/PR. É diretor do comitê de EdTech na ABStartups e e membro da Comissão de Especial de Educação Digital na OAB (2016-2019), sendo coautor do Compromisso de Privacidade de Dados Educacionais.

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