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O que os alunos querem da escola?

O grande debate da educação no século 21 diz respeito a como conectar a experiência escolar à realidade dos alunos. Os moldes de ensino tradicionais parecem cada vez menos eficazes diante de uma geração que aprendeu a viver em rede, está acostumada à instantaneidade, tem acesso a um fluxo incessante de informações e, para completar, vai encontrar um mercado de trabalho muito diferente das décadas anteriores – em que o empreendedorismo social, os espaços colaborativos e a desierarquização estão se popularizando. Como a escola pode se adaptar, contudo, ainda está aberto para discussão. Mas quem participa dela?

“Quando discutimos educação, normalmente consultamos adultos: gestores, diretores, professores, pais. Nossa intenção é dar voz aos alunos e mobilizá-los para que reflitam sobre o seu papel na escola e sobre as características que elas devem ter para promover aprendizado e desenvolvimento com sentido. Queremos entender o que o aluno do século 21 espera da educação”, afirma a diretora do Inspirare, Anna Penido.

“Quando discutimos educação, normalmente consultamos adultos: gestores, diretores, professores, pais. Queremos entender o que o aluno do século 21 espera da educação”.

A pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção pretende dar voz a esses jovens. No dia 28 de abril, foi lançado um questionário online cujo objetivo é incentivar estudantes de 13 a 21 anos de todos os estados do país a pensar sobre suas experiências de aprendizagem e ouvir seus desejos em relação à educação. A iniciativa é parceria entre o Porvir, programa do Instituto Inspirare, e a Rede Conhecimento Social, realizadora da metodologia PerguntAção, utilizada para a consulta. A pesquisa continua aberta até o dia 31 de julho e os resultados devem ser divulgados já em agosto deste ano.

Alunos na liderança

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Alunos de 13 a 21 anos fazem parte de todo o processo: desde a reflexão sobre o tema até a análise dos resultados.

Mas não é apenas através dos resultados que os jovens vão expressar suas visões para a escola ideal. De acordo com a metodologia PerguntAção, eles fizeram parte de todo o processo de criação do questionário, formulando as questões durante um encontro, em São Paulo, que reuniu 25 estudantes de 5 regiões brasileiras. As perguntas propostas passaram, em seguida, pelo refinamento da equipe antes de irem ao ar. O grupo também está envolvido diretamente na mobilização para a coleta de respostas e na análise dos resultados.

“O PerguntAção é um processo de construção participativa de consultas de opinião para gerar mobilização. É diferente de uma pesquisa tradicional porque aqui queremos ter resultados não só no final, mas no próprio processo de elaboração de todas as etapas, gerando muito debate, sempre de forma colaborativa com o próprio público alvo. Quem melhor do que os próprios jovens para dizer o que perguntar para os estudantes sobre a escola dos sonhos?”, diz Marisa Villi, cofundadora da Rede Conhecimento Social.

Paloma Romeiro Comparato, de 17 anos, foi uma das convidadas a participar do debate sobre a Nossa Escola em (Re)Construção. Aluna d0 3º ano do Ensino Médio em São José dos Campos, ela conta que a experiência de discutir educação com jovens de diversas realidades foi muito enriquecedora: “Sempre estudei em escola particular e, por isso, sempre estive em torno de pessoas com experiências muito parecidas com as minhas. Foi interessante ter outros pontos de vista, conhecer estudantes que enfrentam outras dificuldades. Mudou muitas opiniões minhas em relação à educação”.

“Sempre estudei em escola particular e, por isso, sempre estive em torno de pessoas com experiências muito parecidas com as minhas. Foi interessante ter outros pontos de vista, conhecer estudantes que enfrentam outras dificuldades”.

O questionário final, feito a muitas mãos, traz perguntas sobre a percepção dos jovens em relação à escola atual e como eles acham que ela pode estimular mais o seu aprendizado, respeitar suas características individuais, ser inovadora e contribuir com a sua felicidade. Também são abordadas no estudo a grade curricular, os conteúdos, as metodologias pedagógicas, os recursos usados para ensinar e aprender e o formato das salas de aula. Por fim, o objetivo do estudo inclui descobrir se há, efetivamente, espaço para que os jovens participem da tomada de decisões em suas escolas e o quanto eles são engajados.

Resultado de cada escola

Os resultados quantitativos da pesquisa e uma análise das respostas serão divulgados em agosto de 2016. Além disso, escolas e coletivos de jovens com pelo menos 50 participantes terão acesso a levantamentos específicos, ou seja, terão um recorte das opiniões de seus estudantes. A Geekie, juntamente com o Porvir e a Rede Conhecimento Social, convida todas as suas escolas parceiras a encaminhar o questionário aos alunos. Afinal, também acreditamos em escutar as vozes dos jovens, protagonistas do processo de aprendizagem, para transformar a educação.

“A ideia é que o questionário também se torne uma ferramenta para que os professores e as escolas ouçam os seus alunos e promovam debates. Nosso sonho é que mudanças concretas aconteçam em escolas de todo o Brasil a partir da escuta dos jovens”, explica Tatiana Klix, editora do Porvir.

Para aproximar a voz dos jovens da sua escola, não esqueça de divulgar a pesquisa entre seus alunos até o dia 31 de julho. Basta acessar o link do Nossa Escola em (Re)Construção e clicar em “Quero Participar”.