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Alunos brasileiros querem escola com tecnologia e respeito à individualidade

Pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção, promovida por Porvir e Inspirare, perguntou a mais 132 mil alunos brasileiros entre 13 e 21 anos: como você pensa sua escola atual e como gostaria que ela fosse?

O vídeo acima é apenas uma prévia do que foi a pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção, idealizada pelo Porvir e Instituto Inspirare, que deu voz a mais de 132 mil alunos brasileiros de todas as regiões do país. Com o objetivo de tornar os jovens protagonistas na transformação da própria escola, o processo foi inovador desde a elaboração das perguntas até a reflexão sobre os resultados: o questionário foi elaborado por um grupo de 25 adolescentes através da metodologia PerguntAção, que envolve o público investigado em todas as etapas da pesquisa.

A Geekie acredita no protagonismo dos alunos brasileiros e na personalização da aprendizagem como caminho para que cada jovem atinja plenamente seu potencial. Por isso, fomos parceiros da iniciativa, divulgando a pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção para toda nossa rede de escolas e alunos pelo Brasil – assim, não só contribuímos para que mais vozes fossem ouvidas, como também nos aproximamos de quem usa nossas plataformas, descobrindo o que consideram valioso na Educação e como podemos melhor atender essas necessidades com a tecnologia Geekie!

Isso foi o que descobrimos:

Jovens brasileiros estão insatisfeitos, mas ainda têm uma relação afetiva com a própria escola

Convidados a pensar em uma educação mais inovadora, alunos brasileiros não se ativeram somente à infraestrutura do edifício. 8 em cada 10 jovens afirmaram que as relações entre colegas e com a equipe pedagógica precisa melhorar – e apenas 1 em cada 10 está satisfeito com a escola atual.

Apesar da insatisfação, quando questionados sobre o que diriam de sua escola a terceiros, a reação mudou. “Mesmo avaliando mal a escola, inicialmente, quando perguntamos a eles o que falariam sobre a própria escola para outras pessoas, tivemos respostas bem mais positivas”, constatou Anna Penido, Diretora Executiva do Instituto Inspirare. Nesse caso, 70% afirmaram gostar de estudar em sua escola e 72% que aprendem coisas úteis para sua vida. O que essa discrepância significa?

“Os alunos ainda têm um vínculo emocional, afetivo, com sua escola. E, como eles gostam da escola, também vemos que há esperança”, Anna Penido, Instituto Inspirare.

“O que entendemos a partir desses dados é que os alunos brasileiros ainda têm um vínculo emocional, afetivo, com sua escola. E, como eles gostam da escola, também vemos que há esperança”, reflete Anna. Essa conexão profunda pode ser justamente o motor que leva cada vez mais jovens a assumir seu protagonismo e criticar o que já não se encaixa – dentre as queixas, estão o formato das aulas, o material, a relações humanas, a organização do espaço.

Estudantes pedem uma escola que desenvolva cidadania e respeite a individualidade

Citando os conteúdos que deveriam ser abordados na escola, surgiram algumas surpresas: à frente de matemática ou português estão habilidades de relacionamento com outras pessoas e a sociedade; política, cidadania e direitos humanos; e conhecimentos ligados à tecnologia! Marisa Villi, diretora executiva da Rede Conhecimento Social e uma das responsáveis pela elaboração da pesquisa, acha esses pedidos significativos: “Mostra que os alunos brasileiros dão mais importância às relações sociais, ao respeito à individualidade, do que à estrutura”.

Quanto ao jeito de aprender, a maioria dos alunos brasileiros (36%) acredita que aprenderia melhor por meio de projetos, atividades práticas e resolução de problemas; em seguida, aparece aprender usando tecnologia (27%). Já quando o assunto é a sala de aula, eles pedem ambientes e móveis variados – pufes, bancadas, almofadas, sofás – e a possibilidade de usar ambientes internos e externos.

Para alunos brasileiros, a tecnologia e as relações sociais não são excludentes – elas se complementam

Engana-se quem imagina que os alunos brasileiros pretendem passar o dia inteiro com os olhos na tela. Sim, a tecnologia foi uma resposta popular a várias das perguntas da pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção, mas também o foram as rodas de conversa, os espaços verdes e a participação dos alunos nas decisões da escola através de grêmios estudantis, conselho escolar ou atividades que integrem estudantes, pais e professores. Mais da metade crê que atividades culturais e esportivas não podem faltar; ainda assim, 7 em cada 10 não têm projetos culturais na escola. Também houve um número expressivo de pedidos por atividades que ajudem na melhoria da qualidade de vida (49%) e a lidar com as emoções (44%).

A iniciativa mostra, mais uma vez, a importância de cocriar uma escola de qualidade em parceria com os alunos. “No ano passado, durante as ocupações [de escolas públicas de São Paulo], vimos a vontade dos alunos brasileiros de serem ouvidos”, explica Tatiana Klix, editora do Porvir. “A escola do futuro precisa ser construída por eles, são eles quem têm essa forma de pensar do século 21, que já não nos pertence”.

“A escola do futuro precisa ser construída por eles, são eles quem têm essa forma de pensar do século 21, que já não nos pertence”, Tatiana Klix, Porvir.

Os resultados completos da pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção estão disponíveis aqui. O questionário também pode ser baixado gratuitamente – que tal aplicá-lo entre seus alunos para descobrir o que eles querem da escola?

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